Helenas de Manoel Carlos se despedem do autor: homenagens emocionadas nas redes
Atores que viveram Helenas homenageiam Manoel Carlos

O falecimento do renomado autor Manoel Carlos, ocorrido no sábado, 20 de janeiro de 2026, desencadeou uma onda de homenagens emocionadas nas redes sociais. Quem liderou os tributos foram justamente as atrizes que deram vida às suas protagonistas mais icônicas: as Helenas.

O legado das Helenas na dramaturgia brasileira

Manoel Carlos, carinhosamente chamado de Maneco, não escolheu o nome Helena por acaso. Inspirado na figura mitológica de Helena de Tróia, ele via no nome um símbolo de força, paixão e narrativa atemporal. Suas heroínas não eram super-humanas; eram mulheres reais, que viviam, amavam, erravam e resistiam no cotidiano do Brasil urbano. Essa foi a marca registrada do autor, que transformou o nome em um destino e o dia a dia em poesia em suas novelas para a TV Globo.

Com sua morte, essas mulheres da ficção, agora interpretadas por atrizes de carne e osso, reencontraram-se no ambiente digital para um último e comovente adeus ao homem que lhes deu voz e personagens inesquecíveis.

As despedidas emocionadas das protagonistas

Cada atriz encontrou uma forma única e pessoal de expressar sua gratidão e saudade. Regina Duarte, a atriz que mais vezes encarnou uma Helena – em "História de Amor", "Por Amor" e "Páginas da Vida" –, fez uma homenagem profunda. Ela afirmou que Manoel Carlos a ensinou muito sobre si mesma e sobre "a consistência do feminino". A atriz compartilhou um vídeo de fãs que o chamavam de "pai das Helenas", celebrando sua linguagem ousada e sua capacidade de transformar bairros como o Leblon em cenários míticos.

Maitê Proença, que interpretou Leninha em "Felicidade", optou por um tom íntimo e etéreo. Em poucas palavras, desejou leveza ao autor em sua "travessia", pedindo que ele levasse consigo o amor e a admiração de todos.

Vera Fischer, a Helena de "Laços de Família", gravou um vídeo emocionado. Ela agradeceu pela personagem corajosa e amorosa que recebeu e repetiu o verbo "voar", como um embalo para uma despedida em paz.

Taís Araújo, que fez história como a única Helena negra na trajetória do autor, em "Viver a Vida", destacou a transformação promovida por seu trabalho. Ela agradeceu pela confiança e pela aposta, lembrando da capacidade de Manoel Carlos de fazer o Brasil sonhar e se enxergar mais bonito.

O ciclo das Helenas se encerrou com Júlia Lemmertz em "Em Família", um momento simbólico, já que sua mãe, Lilian Lemmertz, foi a primeira a interpretar a personagem. Júlia, assim como Christiane Torloni (Helena de "Mulheres Apaixonadas"), escolheu o silêncio eloquente dos stories no Instagram, compartilhando imagens e memórias afetivas. Foi uma despedida que preferiu o sentimento às palavras.

O essencial que não grita: a lição final de Maneco

As homenagens das atrizes reforçam o legado duradouro de Manoel Carlos. Ele não criou personagens barulhentas, mas mulheres cuja força residia na sutileza, no afeto e na humanidade. Suas Helenas eram espelhos para milhões de brasileiras.

Nas redes sociais, as publicações de Regina Duarte, Maitê Proença, Vera Fischer, Taís Araújo, Christiane Torloni e Júlia Lemmertz não são apenas despedidas. São testemunhos de um autor que, como poucos, soube escrever sobre o amor em suas formas mais cotidianas e, por isso, mais poderosas. O nome Helena, agora, ecoa como uma das maiores homenagens ao seu criador.