Macaca-prego com diabetes se recupera após tratamento especializado em Uberaba
A macaca-prego Chica, diagnosticada com diabetes mellitus em janeiro na cidade de Uberaba, Minas Gerais, passou por uma recuperação notável após receber tratamento no Hospital Veterinário da Uniube (HVU). Embora não possa retornar à vida silvestre devido à condição crônica, o animal se recuperou de um quadro clínico grave e está preparada para uma nova fase em ambiente controlado.
Tratamento inovador com dieta e homeopatia
Segundo o médico-veterinário Cláudio Yudi, responsável pelo Setor de Animais Silvestres do HVU, a mudança na dieta e a medicação foram fundamentais para reverter o quadro de saúde da primata. Durante o tratamento, Chica passou por alterações no manejo alimentar e começou a receber medicamentos para controlar o diabetes.
A dieta foi completamente reformulada, passando a ser composta apenas por verduras e legumes frescos, com redução quase total de carboidratos e eliminação de alimentos inadequados. Atualmente, a macaca recebe metformina, um medicamento oral administrado junto à alimentação, além de um remédio homeopático que auxilia no controle dos níveis de glicose no sangue.
"Alimentos como pães e doces, inadequados para um animal silvestre, eram oferecidos à ela constantemente pelos frequentadores da Mata do Ipê, o que pode ter sido a causa da doença", explicou Cláudio Yudi, destacando os riscos da alimentação inadequada por humanos.
Transferência para novo lar em Uberaba
Na quinta-feira, 12 de março, dois dias antes de completar dois meses no HVU, Chica foi encaminhada para um mantenedor de fauna silvestre em Uberaba, onde continuará recebendo a medicação e alimentação necessárias. A operação contou com toda a equipe do hospital, que cuidou do animal desde 14 de janeiro.
A transferência foi autorizada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) após avaliação especializada que concluiu que a reintegração à natureza não seria possível devido à condição de saúde da macaca. Chica agora está sob os cuidados de João Paulo Vieira, um mantenedor habilitado com experiência no manejo de macacos-prego e estrutura adequada para garantir o tratamento contínuo.
"Ela vai ser muito amada aqui como todos os animais são", afirmou João Paulo Vieira, revelando que Chica foi bem recebida pelas duas outras primatas que já vivem no local e passou por um processo de adaptação planejado para reduzir o estresse da transferência.
Acompanhamento veterinário contínuo
A proximidade com o HVU permitirá acompanhamento clínico sempre que necessário, garantindo suporte veterinário para o controle da diabetes de Chica. No dia da transferência, ela recebeu todos os cuidados para não se estressar durante o transporte e foi tratada com carinho por toda a equipe do hospital.
"Para nós foi muito importante a agilidade e o profissionalismo do IEF em viabilizar uma solução segura para a Chica. O fato de ela permanecer em Uberaba, sob responsabilidade de um mantenedor experiente com macacos-prego, é extremamente positivo", destacou Cláudio Yudi.
A experiência do mantenedor tranquiliza a equipe que durante quase três meses trabalhou para amenizar o quadro grave de saúde da macaca. "A transferência para um espaço seguro em Uberaba nos faz acreditar que a Chica terá qualidade de vida e cuidados adequados. Esperamos que ela possa viver bem e continuar sendo acompanhada ao longo do tempo", completou o veterinário.
Entenda o caso desde o resgate
Chica foi resgatada no dia 14 de janeiro de 2026 na região da Mata do Ipê, em Uberaba, após apresentar apatia e sinais de problemas respiratórios. O resgate foi realizado por servidores da Prefeitura de Uberaba, que encaminharam o animal ao HVU.
Inicialmente, o tratamento foi voltado para um quadro de broncopneumonia, mas após exames laboratoriais e de imagem, os veterinários confirmaram o diagnóstico de diabetes mellitus, uma condição rara em animais silvestres que exige manejo permanente e monitoramento constante.
Durante o período de internação, a macaca apresentou melhora clínica significativa, ganho de peso e boa adaptação à nova alimentação, baseada em verduras e alimentos naturais adequados para a espécie. Especialistas alertam que o caso reforça a importância de não alimentar animais silvestres em parques e áreas naturais, pois a prática pode causar distúrbios nutricionais, mudanças de comportamento e aumentar o risco de acidentes com visitantes.
