ONU acusa Israel de 'apartheid' na Cisjordânia para manter opressão
ONU acusa Israel de apartheid na Cisjordânia

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) emitiu uma grave denúncia nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026. O órgão acusou formalmente Israel de estabelecer e manter um sistema de apartheid nos territórios palestinos ocupados da Cisjordânia. O alerta surge em um contexto de intensificação da construção de assentamentos e de uma deterioração drástica das condições de vida da população palestina.

Um sistema de segregação e controle total

De acordo com o relatório, as autoridades israelenses impõem uma discriminação sistemática que controla todos os aspectos da vida dos palestinos. O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, foi enfático ao descrever a situação. Ele afirmou que há uma "asfixia sistemática" dos direitos básicos, seja para acessar água, ir à escola, receber atendimento médico, visitar familiares ou realizar atividades econômicas tradicionais, como a colheita de azeitonas.

"Esta é uma forma particularmente grave de discriminação e segregação racial, que se assemelha ao tipo de sistema de apartheid que já vimos antes", declarou Turk. O documento detalha que o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aplica dois conjuntos distintos de leis: um para os colonos israelenses e outro para os palestinos residentes na mesma região, resultando em um tratamento profundamente desigual.

Expansão de assentamentos e repressão violenta

O alerta da ONU ocorre quase um mês após a aprovação, pelo governo israelense, da construção de 764 novas unidades habitacionais em três assentamentos na Cisjordânia. Esses assentamentos são considerados ilegais pelo direito internacional, mas sua expansão continua a todo vapor. O relatório também destacou o aumento da repressão desde o início da guerra em Gaza, em 7 de outubro de 2023.

As forças israelenses expandiram o uso da força ilegal, detenções arbitrárias e tortura. Paralelamente, a sociedade civil e a imprensa enfrentam restrições severas. A análise aponta para uma "deterioração sem precedentes da situação dos direitos humanos" na área. Um dado chocante ilustra a impunidade: entre 2017 e 30 de setembro de 2025, mais de 1.500 assassinatos de palestinos na Cisjordânia resultaram em apenas 112 investigações e uma única condenação.

O projeto bilionário que "enterrará" a Palestina

Em setembro de 2025, Netanyahu aprovou a retomada do polêmico projeto E1, que estava congelado desde 2012 devido a pressões internacionais. O plano, orçado em cerca de US$ 1 bilhão (mais de R$ 5 bilhões), prevê a construção de milhares de casas, estradas e modernização de infraestrutura entre Jerusalém e Maale Adumim.

O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, membro ultranacionalista da coalizão governista, celebrou a iniciativa, afirmando que ela "enterrará a ideia de um Estado palestino". O ACNUDH concluiu que há "motivos razoáveis para acreditar" que a segregação visa ser permanente, com o objetivo final de manter a opressão e a dominação sobre o povo palestino.

O relatório finaliza com um apelo direto a Israel: pôr fim à ocupação ilegal, desmantelar todos os assentamentos, evacuar os colonos e respeitar o direito à autodeterminação palestina. Contudo, diante das recentes aprovações de expansão, é altamente improvável que o governo israelense atenda a essas demandas no curto prazo.