Vazamento revela menção a André Esteves em diálogo com ministro
O vazamento seletivo que trouxe à tona a troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, em 17 de novembro, dia da primeira prisão deste pela Polícia Federal, continha uma misteriosa referência a André Esteves. A menção foi completamente ignorada pela colunista Malu Gaspar, da Globo, em sua publicação dos prints da conversa nesta sexta-feira, 6 de março de 2026.
Contexto da guerra bancária na Faria Lima
Em 24 de dezembro de 2025, o editor-chefe da Revista Fórum, Renato Rovai, revelou que a fonte de Malu Gaspar seria o próprio André Esteves, o poderoso controlador do BTG Pactual. Esteves travava uma intensa disputa contra Vorcaro no mercado financeiro, conflito que se estendeu para os corredores do poder em Brasília. Segundo Rovai, após ver "os dedos de Xandão" em sua briga com o Master, Esteves iniciou uma operação discreta para disseminar boatos contra o ministro.
Amigo íntimo e ex-sócio de Paulo Guedes, além de avalista da candidatura de Jair Bolsonaro em 2018, Esteves recebeu em sua mansão em São Paulo, em 17 de dezembro, o senador Flávio Bolsonaro. O encontro ocorreu no mesmo dia em que o filho do ex-presidente se reuniu com cerca de 40 agentes do sistema financeiro na capital paulista, buscando apoio para sua pré-candidatura ao Planalto.
A citação ignorada nos prints vazados
Nas mensagens divulgadas, após Moraes negar publicamente as conversas com Vorcaro, Malu Gaspar não contextualizou a referência ao banqueiro do BTG. Às 20h48, pouco mais de uma hora antes de ser preso no aeroporto de Guarulhos, Vorcaro informa a Moraes sobre o anúncio do aporte de R$ 3 bilhões da Fictor Holding Financeira no Master. Em seguida, ele sinaliza a disputa frontal: "Amanhã começam as batidas do Esteves [André Esteves, dono do BTG Pactual]". Minutos depois, Vorcaro foi detido.
Proteção midiática ao banqueiro do BTG
Para quem acompanha o caso pela grande imprensa, Vorcaro é pintado como uma figura quixotesca, lutando contra moinhos de vento com os rostos de Moraes e Dias Toffoli. No entanto, a face verdadeiramente blindada pelos jornais é a de André Esteves. Desde maio de 2025, o noticiário da mídia liberal parece ter esquecido o verdadeiro adversário de Vorcaro na guerra da Faria Lima, que se misturou com a politicalha de lobistas do Centrão, da direita e da ultradireita.
Em 7 de abril, a Folha de S.Paulo detalhou em reportagem como a "compra do Master abre guerra de banqueiros e causa divisão política em Brasília". O texto explicitava os lados da contenda: de um, Daniel Vorcaro, o "bilionário de Belo Horizonte" conhecido por um estilo de vida extravagante; de outro, André Esteves, de 56 anos, chairman do BTG, consolidado por um estilo arrojado nos negócios e discreto no trato pessoal. A matéria ainda apresentava um organograma ligando Vorcaro a figuras do Centrão e do bolsonarismo.
Sumiço do nome de Esteves após aquisição
Curiosamente, após o BTG adquirir a parte considerada "saudável" do Master em maio de 2025, o nome de André Esteves praticamente desapareceu das páginas dos principais veículos. Ele só voltaria a ser citado em 18 de novembro por Lauro Jardim, também d'O Globo, um dia após a prisão de Vorcaro e a liquidação do Master pelo Banco Central. A nota afirmava que "pessoas próximas a Daniel Vorcaro passaram as últimas horas atirando em dois personagens poderosos: o ministro Fernando Haddad e o banqueiro André Esteves".
O caso revela não apenas as complexas tramas entre poder financeiro e político, mas também como certas narrativas são moldadas ou omitidas na cobertura jornalística, deixando lacunas cruciais para a compreensão completa dos fatos.
