Polícia Civil de Rondônia atualiza investigações sobre morte de adolescente por tortura e cárcere
Polícia atualiza caso de adolescente torturada até a morte em RO

Polícia Civil de Rondônia atualiza investigações sobre morte de adolescente por tortura e cárcere

A Polícia Civil de Rondônia realizou uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (3) para atualizar o andamento das investigações sobre a morte da adolescente Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos. O caso, que chocou o estado, apresenta indícios graves de cárcere privado, violência doméstica, tortura e, conforme revelações recentes, possíveis abusos sexuais.

Denúncia anterior e isolamento social

Conforme informações confirmadas pela polícia, a filha da madrasta de Marta Isabelle já havia denunciado o pai da adolescente por suspeita de violência e maus-tratos antes da morte dela. A denúncia foi oficialmente registrada e tinha audiência marcada para maio, com tramitação normal, quando a jovem foi encontrada morta dentro de casa.

Outro ponto crucial destacado pelas investigações é o isolamento social imposto à vítima. O pai retirou Marta da escola há quase três anos, alegando falsamente que ela seria transferida para uma unidade de ensino na Paraíba, estado onde morou por cerca de dez anos com a mãe. Dessa forma, a adolescente foi completamente afastada do convívio social.

Detalhes chocantes do crime

Marta Isabelle foi encontrada pela polícia deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável. O laudo inicial indicou desnutrição, ossos expostos, ferimentos cheios de larvas e marcas que sugerem dias de imobilização.

"Lamentável que uma adolescente que deveria estar sendo protegida dentro de sua casa, estava sofrendo vários crimes tão bárbaros. O sofrimento que essa adolescente teve durante o final da sua vida foi lento e gradual", declarou a delegada Leisaloma Carvalho, responsável pelo caso.

A investigação apontou que o pai, Callebe José da Silva, e a madrasta, Ivanice Farias de Souza, mantinham a menina amarrada com fios. Ela era obrigada a comer restos de comida, privada de água e higiene, e não recebia atendimento médico mesmo com ferimentos infestados.

Suspeitos e acusações

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Porto Velho e tratado como feminicídio. Os três suspeitos são:

  • Callebe José da Silva, o pai
  • Benedita Maria da Silva, avó paterna
  • Ivanice Farias de Souza, madrasta

Além de feminicídio, eles são investigados por crimes como cárcere privado e tortura. A delegada Leisaloma descreveu o pai como ciumento e revelou que "ela era castigada por qualquer motivo, inclusive por falta de motivo. Ela simplesmente era castigada".

Quem era Marta Isabelle

Conhecida pela família como Martinha, Marta Isabelle dos Santos gostava de cantar na igreja e sonhava em terminar os estudos. Nascida na Paraíba, mudou-se ainda criança para Rondônia para morar com o pai, enquanto o restante da família permaneceu no estado nordestino.

Em entrevista, uma tia da vítima afirmou que a última foto com a sobrinha é de agosto de 2020 e que o contato diminuiu desde então. Um vídeo divulgado nas redes sociais de uma igreja mostra a adolescente cantando durante um culto, sendo o último registro em vida ao qual a família teve acesso.

"Martinha era muito amada. Sonhava em estudar, terminar os estudos e construir um futuro. Nada justifica o que fizeram com ela", disse a tia, emocionada.

A Rede Amazônica tentou contato com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) para esclarecimentos sobre o afastamento escolar, mas não obteve retorno até a última atualização. O g1 também tenta localizar a defesa dos suspeitos.