Procuradoria-Geral da República denuncia ex-presidente da Alerj por vazamento de informações sigilosas
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou uma denúncia formal contra Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), acusando-o de obstruir investigações ao vazar dados confidenciais para o Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do país. Além de Bacellar, também foram denunciados o ex-deputado estadual TH Joias, o desembargador federal Macário Neto e mais duas pessoas, em um caso que envolve supostas violações de sigilo funcional e interferência em operações policiais.
Detalhes da acusação: vazamento de informações de operação da Polícia Federal
Segundo a denúncia da PGR, Rodrigo Bacellar teria repassado informações sigilosas de uma operação da Polícia Federal contra o Comando Vermelho diretamente para o principal alvo da ação, o então deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias. As investigações apontam que as informações vazadas para o Poder Legislativo fluminense teriam origem em um integrante do Poder Judiciário, especificamente o desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
A PGR afirma que, na véspera da prisão de TH Joias, Macário Neto revelou previamente a Bacellar, descrito como seu amigo íntimo, medidas cautelares sigilosas contra o deputado que ele próprio havia autorizado. No mesmo dia, imagens de câmeras de segurança anexadas ao inquérito flagraram TH Joias retirando objetos de sua residência, em uma ação que, segundo a investigação, visava se livrar de provas incriminatórias.
Crimes imputados e situação atual dos acusados
A Procuradoria denunciou Rodrigo Bacellar, TH Joias e Macário Neto pelo crime de obstrução de justiça. O desembargador pode responder adicionalmente por violação de sigilo funcional. Atualmente, TH Joias e Macário Neto estão presos, enquanto Bacellar cumpre medidas cautelares com o uso de tornozeleira eletrônica. Todos os acusados negam veementemente as acusações.
O Supremo Tribunal Federal (STF) será responsável por decidir se aceita ou não a denúncia, que foi assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e tem como relator o ministro Alexandre de Moraes. A decisão do STF será crucial para o desfecho jurídico deste caso de alto perfil.
Defesas dos acusados reagem com surpresa e contestam fundamentos
A defesa de Rodrigo Bacellar emitiu uma nota declarando ter recebido a denúncia com surpresa, argumentando que ela se baseia em ilações e narrativas que teriam sido repetidamente refutadas por extensa prova documental ao longo da investigação. De forma similar, os advogados do desembargador Macário Neto também afirmaram ter ficado surpresos com a denúncia, classificando a narrativa da acusação como fruto de conjecturas que não se sustentaram durante as apurações.
O advogado de TH Joias declarou que ainda não teve acesso completo aos autos do processo, limitando sua capacidade de se manifestar detalhadamente sobre as acusações. Este caso destaca as complexas relações entre os poderes Legislativo e Judiciário no Rio de Janeiro e levanta questões sobre a integridade de investigações contra o crime organizado.
