O cenário político internacional foi abalado no sábado, 3 de janeiro de 2026, com o anúncio da captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelo governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O evento gerou reações imediatas e acaloradas no Brasil, envolvendo as principais figuras da política nacional.
Acusações de Flávio Bolsonaro nas redes sociais
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como principal nome da oposição para a disputa eleitoral presidencial de outubro, foi um dos primeiros a se manifestar. Em uma publicação na rede social X, antigo Twitter, o parlamentar fez uma afirmação impactante sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Lula será delatado", escreveu Bolsonaro.
Em sua mensagem, o senador vinculou a declaração ao que chamou de "fim do Foro de São Paulo", acusando a organização de envolvimento em uma série de ilícitos. "Tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…", listou em sua postagem, que rapidamente viralizou.
Críticas ao regime venezuelano e posicionamento ideológico
Posteriormente, Flávio Bolsonaro ampliou sua crítica em outras redes sociais, usando a situação da Venezuela como exemplo central. Ele afirmou que o país se tornou "um dos exemplos mais extremos de como um regime autoritário pode destruir uma Nação".
O presidenciável detalhou sua análise sobre o declínio venezuelano, atribuindo-o aos governos de Hugo Chávez e, principalmente, de Nicolás Maduro, a quem se referiu como "narcoterrorista". Segundo o senador, o país enfrentou:
- A concentração de poder nas mãos do Executivo.
- O enfraquecimento sistemático das instituições democráticas.
- A perseguição constante à imprensa livre.
- A repressão violenta a qualquer forma de oposição política.
- A eliminação da independência do Poder Judiciário.
Bolsonaro também acusou Maduro de utilizar o território venezuelano como rota estratégica para a distribuição de drogas para diversos países. Finalizou seu posicionamento com uma condenação ao modelo político que, em sua visão, levou a Venezuela ao colapso: "O comunismo nunca levou um povo à prosperidade; só levou nações inteiras ao medo, à fome e à fuga. Ditaduras não caem sozinhas, caem quando os povos escolhem a liberdade."
A resposta oficial do governo Lula
Do outro lado do espectro político, a reação foi diametralmente oposta. O presidente Lula repudiou veementemente a ação militar norte-americana em solo venezuelano. Em nota oficial divulgada pela Presidência da República, Lula classificou os atos como algo que "ultrapassam uma linha inaceitável".
Para o mandatário brasileiro, a operação representa uma "afronta gravíssima à soberania da Venezuela" e estabelece um "precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional". Lula argumentou que atacar países violando o direito internacional é o primeiro passo para um mundo regido pela lei do mais forte, resultando em violência, caos e instabilidade global.
"A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões", afirmou o presidente, reafirmando o princípio da não-intervenção e do multilateralismo como pilares da política externa brasileira.
O cenário político em ebulição
A troca de acusações e as declarações contundentes ocorrem em um ano eleitoral crucial para o Brasil. Com as eleições presidenciais marcadas para outubro de 2026, o episódio internacional envolvendo a Venezuela e a captura de Maduro foi rapidamente assimilado pelo debate político doméstico.
Flávio Bolsonaro, ao se posicionar como principal adversário de Lula nas urnas, utiliza o caso para reforçar seu discurso contra governos de esquerda na América Latina e contra o Foro de São Paulo. Por outro lado, a defesa intransigente da soberania nacional por parte de Lula busca ressoar com um eleitorado que valoriza a autonomia dos países perante as potências estrangeiras.
O desfecho dessa crise internacional e seu impacto no pleito brasileiro ainda são incertos, mas uma coisa é clara: o evento de 3 de janeiro de 2026 intensificou as tensões e polarizou ainda mais o cenário político nacional, definindo os contornos de uma campanha eleitoral que promete ser acirrada e pautada por visões de mundo profundamente antagônicas.