Operação no AC apreende R$ 1 milhão em remédios desviados da saúde pública
Remédios de hospitais do AC achados em caixas de lixo

A Polícia Civil do Acre realizou, na manhã desta quarta-feira (14), uma nova etapa de uma operação que investiga o desvio de medicamentos e insumos da rede pública de saúde do estado. Os agentes encontraram um depósito clandestino no bairro Gameleira, região central de Rio Branco, onde parte dos produtos estava armazenada de forma precária, dentro de caixas e até sacos de lixo.

Depósito clandestino e investigação em andamento

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em um estabelecimento que estava fechado e vazio no momento da ação. Esta fase é mais um desdobramento da investigação que já havia levado à prisão de um idoso de 74 anos no início de janeiro, acusado de manter uma farmácia ilegal em sua residência.

Na ocasião anterior, em 5 de janeiro, a polícia apreendeu uma grande quantidade de itens em uma casa no Beco da Glória, na Baixada da Sobral. Entre os materiais estavam remédios para tratamento de câncer, para hemodiálise, medicamentos controlados, gazes, luvas e fraldas descartáveis. O valor total dos medicamentos apreendidos até o momento é estimado em mais de um milhão de reais, conforme declarou o delegado Igor Brito.

Envolvimento de servidores públicos e impacto na saúde

As investigações apontam para o possível envolvimento de funcionários públicos no esquema de desvio, que teria começado em 2023. Um servidor público já foi levado para prestar depoimento na última quarta-feira (7), e provas foram encontradas em seu telefone celular. A esposa de um dos suspeitos também foi conduzida à delegacia para esclarecimentos.

Em entrevista coletiva, o secretário estadual de Saúde, Pedro Pascoal, afirmou que os desvios causaram impacto direto no atendimento à população. "O Estado se planejava para fazer aquela aquisição, aquela quantidade específica de medicamento e nunca era suficiente", disse ele, explicando que a insuficiência crônica de insumos foi o que deu início à apuração interna, que depois foi encaminhada à polícia.

A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) emitiu nota afirmando que acompanha e colabora integralmente com as investigações da Polícia Civil. Há indícios de que os medicamentos foram desviados de unidades como o Pronto-Socorro, a Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Próximos passos da investigação

Os investigadores agora trabalham para mapear todo o esquema. O delegado-geral, José Henrique Maciel, explicou que a polícia fará um levantamento detalhado de todos os medicamentos apreendidos para identificar suas origens exatas. "Pode ser que tenha medicamentos de outras prefeituras, ou da prefeitura da capital", ponderou.

Além disso, os policiais buscam entender o fluxo dos produtos desviados, incluindo como eram comercializados e quem seriam os compradores. A polícia também estende os levantamentos para unidades de saúde do interior do estado, para verificar se o esquema atingiu outros municípios acreanos.

O idoso preso em janeiro foi solto após audiência de custódia, mas aguarda o andamento do processo usando tornozeleira eletrônica. A investigação, considerada complexa pelas autoridades, continua para identificar todos os envolvidos na rede de desvio de recursos essenciais para a saúde pública.