Chefe do PCC é preso em Mato Grosso com arma perdida por policial civil
Um dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) na cidade de Sorriso, em Mato Grosso, foi preso neste sábado (24) utilizando uma pistola que havia sido perdida por um policial civil no ano de 2023. O suspeito, identificado como Luiz Felipe Vieira Ribeiro, de 30 anos, estava em posse da arma de fogo quando foi capturado pelas autoridades próximas à fronteira com a Bolívia.
Detalhes da arma perdida e recuperação
A pistola em questão é um modelo de nove milímetros, cujo uso é restrito exclusivamente a forças de segurança. Segundo registros oficiais, a arma estava sob a responsabilidade de um policial civil que, em 2023, parou seu veículo na saída de Pontes e Lacerda para atender a uma necessidade fisiológica. O agente deixou a pistola sobre o capô do carro e só percebeu o extravio ao chegar em um município vizinho.
O policial retornou imediatamente ao local onde havia estacionado, mas não encontrou mais a arma na estrada. A pistola desapareceu até ressurgir nas mãos do suspeito durante a operação de prisão realizada neste fim de semana. O delegado Bruno França, responsável pelo caso, explicou que o suspeito afirmou ter comprado a arma de outra pessoa, sem fornecer detalhes adicionais.
Investigação e contexto criminal
De acordo com o delegado França, Luiz Felipe Vieira Ribeiro era considerado o último líder dissidente do PCC em Sorriso ainda em liberdade, após um racha com o Comando Vermelho ocorrido em 2022. A polícia acredita que sua atuação na região foi responsável pelo aumento no número de homicídios na cidade.
"Então, fizemos um monitoramento e passamos a rastreá-lo porque acreditamos que ele era o motivo desses homicídios na cidade", afirmou o delegado. A ação policial que resultou na prisão contou com a participação da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, após um trabalho de inteligência que rastreou o suspeito.
Histórico do suspeito e procedimentos internos
O chefe do PCC estava vivendo no estado de Goiás antes de retornar a Sorriso, onde acabou sendo preso. Ele responde por diversos crimes, incluindo a morte do DJ Dudinha e uma série de outros delitos. A assessoria da Polícia Civil foi procurada para esclarecer se há algum procedimento na corregedoria que investigue como a arma do policial foi parar nas mãos do suspeito, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem.
O delegado França destacou a probabilidade de que alguém tenha encontrado a arma perdida, raspado o brasão identificador e vendido o equipamento no mercado ilegal, seguindo o padrão comum de comércio de armas não registradas. A prisão representa um avanço significativo no combate ao crime organizado na região, embora levantem questões sobre a segurança no manejo de armamentos por agentes públicos.