Esquema de falsificação de bebidas com metanol é desvendado pela polícia de São Paulo
A polícia de São Paulo avança nas investigações sobre os graves casos de intoxicação por metanol registrados no estado, desvendando um esquema criminoso de falsificação de bebidas que se espalhou pela Grande São Paulo. Comandado por Vanessa Maria da Silva, presa e condenada, o esquema distribuía bebidas adulteradas que resultaram em mortes e intoxicações severas.
Áudios revelam operação clandestina
O programa Fantástico obteve acesso exclusivo a áudios extraídos do celular de Vanessa, que fornecem pistas cruciais sobre o funcionamento da rede de falsificação. As mensagens mostram como a organização operava, com Vanessa no centro, coordenando revendedores e garantindo a distribuição das bebidas falsificadas por diversos estabelecimentos da região metropolitana.
Segundo a delegada responsável pelo caso, os criminosos utilizavam álcool de posto na fabricação, uma prática já ilegal. No entanto, em uma ocasião específica, esse álcool estava adulterado com metanol, uma substância altamente tóxica e potencialmente fatal, o que desencadeou os casos de intoxicação.
Mortes e consequências graves
As investigações confirmaram que o esquema resultou na morte de pelo menos duas pessoas, ambos homens que consumiram as bebidas em um bar na Zona Leste de São Paulo, posteriormente interditado. O dono do estabelecimento confessou à polícia que adquiriu os produtos adulterados de um revendedor, que por sua vez apontou Vanessa como fornecedora.
Além das fatalidades, outro homem ficou cego devido à intoxicação, e a polícia suspeita que possa haver mais vítimas, especialmente em São Bernardo do Campo, onde funcionava a fábrica clandestina. Vanessa foi presa em flagrante nesse local, onde a polícia encontrou recipientes com metanol e documentos que ajudaram a mapear a distribuição.
Condenação e investigações em andamento
Vanessa foi condenada em primeira instância a sete anos de prisão, em regime fechado, pelo crime de falsificação de bebidas. Durante o julgamento, ela negou vender produtos falsificados, alegando que o local da fábica era uma garagem de uso comum, mas admitiu conhecer os materiais usados para fabricação.
A investigação também envolve familiares próximos, como o cunhado, o ex-companheiro e o pai de Vanessa. Em depoimento, o ex-cunhado, Gilmar Silva dos Santos, confessou falsificar vodcas com bebidas mais baratas, mas negou o uso de metanol, confirmando que Vanessa manipulava as bebidas.
Contexto nacional alarmante
Os casos em São Paulo refletem um problema crescente no país. De acordo com o Ministério da Saúde, até a última sexta-feira, foram registrados 25 mortes em um total de 76 intoxicações por bebidas com metanol em todo o Brasil. Houve um aumento de mais de 400% nos casos de adulteração de 2024 para 2025, alertando para a necessidade de maior vigilância por parte de comerciantes e autoridades.
A defesa de Vanessa questiona a legalidade do acesso da polícia aos dados de seu celular, mas as evidências coletadas têm sido fundamentais para desmantelar a rede criminosa e prevenir novas vítimas.