A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, na última quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, uma figura central no esquema criminoso do jogo do bicho no estado. Trata-se do ex-policial militar Daniel Rodrigues Pinheiro, apontado pelas investigações como o chefe da segurança do contraventor Rogério Andrade e seu braço-direito.
Da clandestinidade à prisão em Bangu
Pinheiro, que estava foragido e integrava a lista de procurados da Interpol desde 2022, foi localizado por meio de um trabalho de inteligência da polícia. A captura ocorreu na favela do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Imediatamente, ele foi conduzido ao Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, mais especificamente para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, conhecida como Bangu 1.
Contra o ex-PM, foi cumprido um mandado de prisão que inclui acusações graves como organização criminosa, extorsão, corrupção ativa e lavagem de capitais. A denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ) que o incluiu, em 2022, detalhava uma atuação de alto escalão no grupo de Andrade.
Papel central no esquema e possível transferência
As investigações revelam que Daniel Pinheiro não era um segurança comum. Ele chefiava uma equipe de aproximadamente 40 seguranças particulares a serviço do bicheiro, sendo responsável inclusive pela coordenação dos pagamentos mensais, que podiam atingir a cifra de 210 mil reais. Além da segurança pessoal de Andrade e de sua família, o ex-PM tinha ingerência direta sobre as operações do jogo do bicho.
Pinheiro monitorava territórios de exploração da contravenção e planejava operações de ataque contra grupos rivais. O documento do MPRJ também o acusava de coordenar pagamentos de propina a agentes públicos, evidenciando sua proximidade com o núcleo de poder da organização.
Nos próximos dias, a expectativa é que ele siga os passos de seu chefe. Rogério Andrade encontra-se preso desde novembro de 2024 no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, condenado pelo assassinato do também contraventor Fernando Iggnácio. A permanência de Pinheiro em Bangu 1, unidade que costuma receber presos prestes a serem transferidos para o sistema federal, indica que seu traslado pode ocorrer em cerca de vinte dias, assim que a Justiça do Rio analisar o pedido formal.
O desmonte de uma organização criminosa
A prisão de Daniel Rodrigues Pinheiro representa um golpe significativo na estrutura operacional e de segurança de uma das mais poderosas organizações do jogo do bicho no Rio de Janeiro. A captura de um foragido internacional, que ocupava uma posição de extrema confiança no grupo, demonstra a continuidade das investigações que visam desarticular a cúpula dessa modalidade de crime organizado.
O caso expõe a complexa teia que envolve ex-agentes públicos, violência, corrupção e lavagem de dinheiro no universo das contravenções. A possível transferência para um presídio federal reforça a estratégia de isolar lideranças criminosas em unidades de segurança máxima, dificultando sua comunicação e comando sobre as atividades ilegais de fora das grades.