Justiça concede habeas corpus a vereador de Manaus preso por rachadinha
Vereador de Manaus com tornozeleira eletrônica registra presença virtual

Vereador de Manaus com tornozeleira eletrônica mantém registro de presença virtual na Câmara

O vereador Rosinaldo Bual, afastado do cargo pela Justiça por 120 dias, voltou a registrar presença nas sessões da Câmara Municipal de Manaus (CMM) de forma remota, conforme atas publicadas no site oficial do Legislativo municipal. Documentos datados de 9, 10 e 11 de fevereiro confirmam o registro do parlamentar, inclusive no dia da abertura dos trabalhos legislativos, na última segunda-feira (9).

Presença virtual gera questionamentos sobre afastamento judicial

Apesar das atas indicarem presença, Bual não foi visto presencialmente na Câmara em nenhum desses dias. Em nota, a Câmara Municipal de Manaus informou que o vereador não está comparecendo fisicamente às sessões, mas tem realizado o registro de forma virtual, formato adotado desde a pandemia da Covid-19 e que continua disponível.

Questionada sobre o motivo do registro de presença, já que o afastamento de 120 dias ainda estaria em vigor, a CMM não respondeu até a última atualização desta reportagem. O vereador não registrava presença desde outubro de 2025, quando foi preso por suspeita de envolvimento em um esquema de rachadinha.

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Operação do MPAM encontrou valores significativos em cofres

Bual foi preso em 3 de outubro durante operação do Ministério Público do Amazonas (MPAM). Durante o cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão, agentes encontraram três cofres. No interior de um deles, foram localizados:

  • R$ 390 mil em espécie
  • Dois cheques que superavam R$ 500 mil
  • Diversos documentos, incluindo passaportes

A investigação indicou que os valores retidos também eram usados em um esquema de agiotagem. De acordo com as apurações, mais de 100 pessoas trabalharam no gabinete do vereador entre o início do mandato e a data da operação.

Esquema de desvio de salários envolvia intimidação a funcionários

Os funcionários recebiam um alto valor de salário na folha de pagamento, mas pessoas ligadas ao vereador intimidavam os trabalhadores para que metade do valor fosse transferido a Bual por dinheiro em espécie ou Pix. Além da suspeita de rachadinha, o parlamentar responde por:

  1. Lavagem de dinheiro
  2. Associação criminosa
  3. Uso de funcionários fantasmas

Decisão judicial determina medidas cautelares e bloqueio de valores

A Justiça, que decidiu pelo afastamento do investigado das funções parlamentares por 120 dias, também determinou:

  • Quebra de sigilos bancários e telemáticos
  • Bloqueio judicial de R$ 2,5 milhões para assegurar ressarcimento aos cofres públicos

Em dezembro, a Justiça do Amazonas concedeu habeas corpus ao vereador. O habeas corpus foi relatado pelo desembargador Jorge Lins, que substitui a prisão por medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

A defesa de Rosinaldo Bual ainda não se manifestou sobre os recentes registros de presença virtual, enquanto a investigação continua apurando os detalhes do esquema criminoso que envolve o gabinete do vereador.

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