Show de Nego Di é cancelado após decisão judicial que retém valores da bilheteria
Pouco mais de uma semana após a Justiça determinar a retenção de parte da renda da venda de ingressos, o stand-up "Diário Di um ex-detento", do influenciador e humorista Nego Di, marcado para 14 de março em Biguaçu, Santa Catarina, foi oficialmente adiado. A produtora do evento confirmou o cancelamento, informando que os ingressos já foram estornados aos compradores, mas uma nova data ainda não foi estabelecida para a realização do espetáculo.
Decisão judicial bloqueia R$ 7.266,40 da bilheteria
No dia 2 de março, o 5º Juizado Especial Cível de Porto Alegre emitiu uma decisão determinando que a plataforma Pensa no Evento reservasse os valores arrecadados com a venda de ingressos do show, até o limite de R$ 7.266,40. Esse montante corresponde a uma dívida judicial do humorista, originada de uma ação movida em 2022 pelo empresário Thiago Lisboa, que atualmente se encontra em fase de cumprimento de sentença.
Thiago Lisboa relatou à reportagem que ficou surpreso ao acessar o site de vendas e perceber que o evento, que já apresentava alguns setores esgotados, havia sido removido da plataforma. "A esperança era com esses stand-ups que conseguimos o bloqueio, mas pelo visto ele não tem intenção de ressarcir", declarou o empresário, expressando frustração com a situação.
Origem da dívida envolve loja virtual "Tadizuera"
A ação judicial tem origem em uma compra realizada por Thiago na loja virtual "Tadizuera", onde ele adquiriu um smartphone que nunca foi entregue. Inicialmente, o processo citava o bar "Casa dus Guri", do qual Nego Di era sócio, mas o estabelecimento encerrou suas atividades meses após o início das complicações judiciais. De acordo com os autos, o bar era utilizado como "estoque" e ponto de encontro para entregas dos produtos vendidos online.
"Citamos o bar pra tentar ver a cor do dinheiro", explicou Thiago, detalhando que conseguiu um bloqueio de R$ 1.600 nas contas da empresa, mesmo após o fechamento do local. No entanto, esse valor foi considerado insuficiente para quitar a dívida, levando a Justiça a autorizar a penhora de outros recursos, incluindo a renda do show stand-up.
Histórico de processos judiciais contra Nego Di
Este não é o único caso envolvendo o influenciador. Desde 2022, Nego Di responde a múltiplos processos por acusações que incluem:
- Estelionato
- Lavagem de dinheiro
- Uso de documento falso
- Promoção de loteria ilegal
Em junho de 2025, o humorista e seu sócio, Anderson Boneti, foram condenados em primeira instância a 11 anos e 8 meses de prisão em regime fechado por estelionato no caso da loja virtual Tadizuera. A condenação, no entanto, só será efetivada após o trânsito em julgado da decisão.
Além disso, em outubro de 2025, a 29ª Promotoria de Justiça Criminal de Porto Alegre tornou Nego Di e Anderson Boneti réus em mais uma ação penal por estelionato, ampliando o quadro processual contra os acusados.
Outras controvérsias e medidas judiciais
O influenciador também enfrenta consequências por outras ações, incluindo:
- Fake news sobre enchentes: Em maio de 2024, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou que Nego Di apagasse publicações com informações falsas sobre as enchentes em Canoas e Porto Alegre, sob pena de multa de R$ 100 mil.
- Fraude em rifa de Porsche: Em fevereiro de 2025, Nego Di virou réu por fraude em uma rifa virtual de um Porsche avaliado em mais de R$ 500 mil, com suspeitas de estelionato, lavagem de dinheiro e promoção de loteria ilegal.
- Apreensão de bens: Em agosto de 2025, dois veículos de luxo (uma RAM Classic Laramie e uma Range Rover Velar) foram apreendidos e a Justiça determinou seu leilão, com avaliação total de R$ 508.851,90.
Nego Di recebeu liberdade provisória em novembro de 2024, após 130 dias preso, e passou a cumprir medidas cautelares como proibição de uso de redes sociais e entrega de passaporte. No entanto, violações dessas condições resultaram em advertências judiciais.
A reportagem entrou em contato com a defesa de Nego Di, mas não obteve retorno até a última atualização das informações. O caso continua sob acompanhamento das autoridades judiciais, com novas decisões pendentes sobre os múltiplos processos em andamento.



