Operação PIX de Papel desarticula quadrilha especializada em fraudes com transferências bancárias
A Polícia Civil de Pernambuco realizou nesta terça-feira (17) uma operação que resultou na prisão de um grupo criminoso especializado em aplicar golpes utilizando comprovantes falsos de pagamento via PIX. A ação, batizada de Operação PIX de Papel, foi deflagrada pela Diretoria Integrada Especializada (Diresp), vinculada ao Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri), e cumpriu quatro mandados de prisão e quatro de busca e apreensão nas cidades do Recife e Olinda, na Região Metropolitana.
Prejuízo superior a R$ 200 mil em empresa de cosméticos
Segundo as investigações policiais, a quadrilha atuava principalmente contra uma distribuidora de cosméticos localizada em Olinda, onde causou um prejuízo financeiro estimado em mais de R$ 200 mil. Os criminosos frequentavam o estabelecimento comercial, realizavam compras de produtos e apresentavam comprovantes de transferência falsificados para simular o pagamento.
Em entrevista exclusiva à TV Globo, a delegada Lígia Cardoso, da Delegacia de Repressão ao Estelionato, detalhou o modus operandi utilizado pelos golpistas. "Foram, ao todo, 32 crimes de estelionato, sendo dois tentados. Eles faziam o cadastro, realizavam a compra e convenciam o vendedor de que enfrentavam alguma impossibilidade de realizar o pagamento através do QR code", explicou a autoridade policial.
Estratégia elaborada para enganar vendedores
A delegada revelou que os criminosos desenvolviam uma abordagem persuasiva junto aos funcionários das lojas. Eles solicitavam a chave PIX da empresa alegando dificuldades técnicas com o sistema convencional de pagamento. "Fornecida a chave PIX, a pessoa supostamente realizava aquela transferência e formulava naquele momento mesmo um comprovante falso. Era um comprovante que realmente parecia idôneo, e aí a pessoa entregava a mercadoria e eles conseguiam finalizar o golpe", descreveu Lígia Cardoso.
Os documentos falsificados eram tão bem elaborados que passavam pela verificação inicial dos vendedores, permitindo que os produtos fossem retirados imediatamente após a transação fraudulenta.
Adaptação do esquema criminoso para o ambiente digital
Após a empresa identificar as fraudes e reforçar seus procedimentos de segurança, o grupo criminoso adaptou sua operação para o ambiente virtual. Eles passaram a utilizar cartões virtuais em nome de terceiros para realizar compras online, explorando uma nova vulnerabilidade no sistema de pagamentos digitais.
"Depois que o terceiro constatava que aquela compra não tinha sido feita por ele. Quando ele recebia alguma notificação ou verificava sua fatura, contestava a compra junto à instituição financeira. Enquanto a compra era contestada e a empresa não recebia o valor da administradora do cartão, a mercadoria já havia sido entregue", explicou a delegada sobre essa segunda fase das atividades ilícitas.
Enquadramento legal e próximos passos
Segundo a delegada Lígia Cardoso, os integrantes da quadrilha presos na Operação PIX de Papel responderão criminalmente por estelionato qualificado, fraude eletrônica e associação criminosa. As investigações continuam para identificar possíveis outros envolvidos e apurar a extensão total dos prejuízos causados às vítimas.
A operação representa um importante avanço no combate aos crimes financeiros digitais na região, destacando a necessidade de atenção redobrada por parte de comerciantes e consumidores nas transações envolvendo meios de pagamento eletrônicos.



