Pai de acusado de estupro coletivo é exonerado no Rio após caso chocar o estado
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, exonerou José Carlos Simonin do cargo de subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa. A decisão foi publicada no Diário Oficial do estado nesta quarta-feira (4), em meio ao escândalo envolvendo seu filho, Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos dois foragidos acusados do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio.
Medida administrativa para preservar integridade institucional
Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, a exoneração foi adotada no âmbito administrativo "visando resguardar a integridade institucional e assegurar a condução responsável dos fatos noticiados". A pasta afirmou ainda que as investigações seguem sob responsabilidade das autoridades competentes. Até a última atualização, José Carlos não havia se manifestado publicamente sobre a medida.
Antes da confirmação da saída, Rosangela Gomes, secretária de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos – pasta onde ficava a subsecretaria de Simonin – publicou uma nota nas redes sociais expressando "profunda indignação e tristeza" ao tomar conhecimento das "graves denúncias". "Minha trajetória de vida e minha gestão são pautadas, acima de tudo, pela defesa intransigente dos direitos das mulheres e pelo combate a todo tipo de violência. Jamais compactuaria com qualquer ato que fira a dignidade feminina ou a integridade de nossas jovens", escreveu.
Governo do Rio se manifesta e oferece apoio à vítima
O Governo do Estado do Rio de Janeiro também emitiu uma nota oficial repudiando "veementemente o ato de extrema violência cometido contra uma adolescente". A administração estadual informou que a Polícia Civil concluiu a investigação e identificou cinco autores – quatro maiores de idade e um menor. A Justiça decretou a prisão dos suspeitos, que estão foragidos, e diligências seguem em andamento para localizá-los.
Rosangela Gomes acrescentou que, por meio do Governo do Estado, a Secretaria da Mulher está prestando apoio jurídico e psicológico à adolescente e à sua família. "Deixo aqui minha total solidariedade a esta jovem de 17 anos e à sua família", afirmou.
Detalhes do crime que abalou Copacabana
Segundo o inquérito da 12ª DP (Copacabana), a vítima foi convidada por um adolescente, ex-namorado, para ir ao apartamento de um amigo dele na noite de 31 de janeiro, na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana. No elevador, o rapaz avisou que mais amigos estavam no local e sugeriu que fariam "algo diferente", proposta que a vítima recusou.
Já no apartamento, ela foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o ex, outros quatro rapazes entraram no cômodo. A vítima relatou que, após insistência do adolescente, concordou apenas que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem. No entanto, segundo seu depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal, e tentou sair do quarto, mas foi impedida.
Evidências coletadas pela polícia
Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, depois, a entrada da adolescente acompanhada pelo menor. As imagens também mostram o momento em que a vítima deixa o imóvel. De acordo com o relatório policial, após acompanhá-la até a saída do prédio, o adolescente retorna ao apartamento e faz gestos interpretados pelos investigadores como de "comemoração".
Conversas por WhatsApp entre a adolescente e o menor, antes do crime, foram incluídas no inquérito. Nas mensagens, ele a convida para ir ao endereço e pergunta se ela poderia chamar uma amiga. A jovem responde que não teria quem convidar, e ele afirma que não haveria problema em ir sozinha.
Laudo pericial confirma violência
O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física. A perícia identificou infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal. Também foram descritos grupos de manchas nas regiões dorsal e glúteas. Materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.
Defesa de um dos acusados contesta versão
A defesa de João Gabriel Bertho emitiu uma nota negando "com veemência a ocorrência de estupro". O texto afirma que duas decisões judiciais já haviam negado pedidos de prisão preventiva anteriores e que há nos autos mensagens de texto entre a jovem e seu amigo sobre a presença prévia de outros rapazes na casa. A defesa também menciona que a jovem permitiu a presença dos rapazes no quarto e que ela teria tido outros pedidos atendidos, além de contestar que a imagem da vítima se despedindo com um sorriso e um abraço não tenha sido objeto da investigação.



