Operação Sanguessuga: Justiça do Amazonas inicia julgamento de 28 acusados por fraude milionária no Detran
A Justiça do Amazonas deu início, nesta terça-feira (11), ao julgamento histórico de 28 indivíduos acusados de participar de um extenso esquema de fraude no Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). O caso, investigado pela Operação Sanguessuga da Polícia Civil, envolve servidores do órgão, estagiários, colaboradores e despachantes, e revela um prejuízo estimado em cerca de R$ 30 milhões aos cofres públicos. As audiências, que ocorrem em Manaus, seguem até sexta-feira (13), marcando uma etapa crucial no processo judicial.
Funcionamento do esquema fraudulento
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o grupo criminoso atuava para emitir documentos de veículos sem registrar restrições legais de circulação. Os automóveis eram adquiridos com isenção de impostos, como ICMS e IPI, benefícios concedidos às montadoras instaladas na Zona Franca de Manaus. Em muitos casos, esses veículos deveriam permanecer no Amazonas por um período específico ou ter limitações para circular fora da região.
No entanto, servidores do Detran-AM e despachantes retiravam ilegalmente essas restrições, permitindo que os carros fossem vendidos ou transferidos para outros estados. Essa manipulação facilitou a evasão fiscal e gerou um impacto financeiro significativo para o erário público.
Detalhes da operação e apreensões
A Operação Sanguessuga, deflagrada em 2020, resultou na prisão de 28 pessoas e na apreensão de mais de 30 veículos, milhares de documentos, equipamentos eletrônicos e lacres de placas. Segundo as autoridades, parte desses lacres era vendida ilegalmente e poderia ser utilizada por quadrilhas especializadas em clonagem de veículos, ampliando o alcance criminoso do esquema.
As investigações também identificaram indícios de pagamento de propina para que processos dentro do Detran-AM fossem liberados sem as restrições exigidas, evidenciando uma rede de corrupção enraizada no órgão.
Crimes imputados e colaboração interinstitucional
Os réus enfrentam acusações graves, incluindo:
- Associação criminosa
- Corrupção ativa e passiva
- Falsidade ideológica
- Inserção de dados falsos em sistema público
- Crimes contra a ordem tributária
- Receptação e lavagem de dinheiro
A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DERFV) da Polícia Civil do Amazonas, com parte das provas sendo compartilhada com a Polícia Federal. Essa colaboração resultou na deflagração, em 2021, da Operação Francamente, ligada ao mesmo esquema fraudulento, demonstrando a extensão e a complexidade do caso.
Próximos passos no processo judicial
Nesta fase do julgamento, a Justiça está ouvindo testemunhas e os próprios acusados antes de decidir sobre condenações ou absolvições. O desfecho do processo é aguardado com expectativa, pois pode estabelecer precedentes importantes no combate à corrupção e à fraude no sistema de trânsito do Amazonas. A continuidade das audiências até sexta-feira promete trazer mais revelações sobre o modus operandi do grupo e o impacto real do prejuízo causado.



