Justiça de São Paulo determina soltura de mulher acusada de cúmplice em crime violento
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) ordenou a libertação de Amanda Vitória Torres dos Reis, de 23 anos, que estava presa desde dezembro do ano passado como suposta cúmplice em um crime de homicídio no bairro Cidade Singer, em Campinas. A decisão judicial, que revogou a prisão preventiva em 23 de fevereiro, foi cumprida na última sexta-feira, 27 de fevereiro, permitindo que a jovem responda ao processo em liberdade.
Falta de provas e mudança na acusação fundamentam decisão
O magistrado responsável pelo caso baseou sua decisão em dois aspectos principais. Primeiramente, não existem provas suficientes para confirmar com segurança a participação de Amanda nos homicídios. Em segundo lugar, a acusação que agora pesa sobre ela tem pena máxima de apenas seis meses de detenção, o que não justifica a manutenção da prisão preventiva.
O advogado de defesa, Yann Saraiva, afirmou ao g1 que as investigações e elementos probatórios levaram à conclusão de que sua cliente "não teve participação no evento criminoso inicialmente apontado". Por essa razão, Amanda sequer foi formalmente indiciada no inquérito policial, conforme destacou o profissional.
Detalhes do crime que chocou Campinas
O crime ocorreu por volta das 21h30 do dia 6 de dezembro de 2025, quando Jeferson Silva Amorim, de 27 anos, invadiu a residência e assassinou os pais de sua ex-namorada. As vítimas foram identificadas como Salvador Ferreira dos Santos, de 76 anos, e Maria de Lourdes Sobrinho, de 56 anos, que faleceram no local.
Além do casal, o ataque também atingiu outras duas pessoas:
- O filho de 10 anos da ex-companheira de Jeferson, que foi baleado no queixo e socorrido ao Hospital Mário Gatti. A criança chegou a ficar em estado grave e precisou ser entubada, mas atualmente não corre mais risco de morte.
- O irmão de 19 anos da ex-namorada, que foi atingido no abdômen e encaminhado ao Hospital da PUC-Campinas, onde recebeu atendimento e posterior alta médica.
Motivação do crime e papel da acusada
Segundo relatos da ex-namorada de Jeferson na delegacia, o acusado havia sido condenado em setembro de 2025 pelo homicídio de um antigo namorado dela em 2018. Na ocasião, ele teria ameaçado se vingar caso fosse sentenciado.
O boletim de ocorrência inicial indicava que Amanda, atual namorada de Jeferson, teria levado o acusado até o local do crime em uma motocicleta e, posteriormente, fugido com ele em um veículo Celta preto até Várzea da Palma, em Minas Gerais, onde os dois se separaram. Amanda foi encontrada na cidade mineira dois dias após o crime.
Entretanto, em seu depoimento à polícia, a jovem afirmou que foi forçada a dirigir até Minas Gerais, não concordava com a fuga, não participou do crime e estava em outro local no momento do ataque. O caso foi registrado como feminicídio, homicídio por motivo fútil e tentativa de homicídio.
Situação atual dos envolvidos
Jeferson Silva Amorim, principal suspeito de cometer os crimes, foi localizado em Alagoas e permanece preso, aguardando julgamento. Já Amanda Vitória Torres dos Reis responde ao processo em liberdade, enquanto as investigações continuam em andamento sob segredo de justiça.
A defesa de Amanda emitiu uma nota pública esclarecendo que, após análise minuciosa das investigações, concluiu-se que ela não teve participação no crime de homicídio que vinha sendo apurado. A advocacia ressaltou que o procedimento ainda está em curso e que permanece à disposição para esclarecimentos dentro dos limites legais impostos pelo sigilo processual.



