MPRJ denuncia dono da Outsider Tours por estelionato e pede prisão preventiva
MPRJ denuncia dono da Outsider Tours por estelionato

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou denúncia contra o empresário Fernando Sampaio, proprietário da agência Outsider Tours, pelo crime de estelionato. O promotor Alexandre Themistocles também solicitou a prisão preventiva de Sampaio, que já se encontra detido em Santa Catarina desde a primeira semana do ano por um mandado da Justiça do Pará, também sob a mesma acusação.

Detalhes do golpe e pedido de prisão

De acordo com a denúncia, a vítima foi lesada em R$ 76 mil em três ocasiões distintas, nos anos de 2024 e 2025. O esquema envolvia a venda de pacotes de viagem e ingressos para eventos esportivos que nunca foram entregues. Entre os itens fraudados estavam ingressos para as finais da Champions League de 2024 e 2025 e um pacote de passagens aéreas para Israel, todos adquiridos pela vítima ainda em 2022.

O MPRJ afirma que os denunciados agiram de forma livre e consciente, induzindo a vítima ao erro com promessas que foram reiteradamente descumpridas. Para o órgão, isso demonstra a intenção de enriquecimento ilícito desde o início das transações.

Ao justificar o pedido de prisão preventiva, o promotor citou o risco de fuga do empresário, destacando que não foram localizados comprovantes sobre seu endereço atual. Fernando Sampaio é investigado em vários inquéritos e responde a ações judiciais em diferentes estados do Brasil.

Outros envolvidos e medidas cautelares

Além de Fernando Sampaio, também foram denunciados Letícia Coppi e Armando Raymundo Neto. O Ministério Público entende que os três atuavam em comunhão de ações para a prática do crime. No entanto, o pedido de prisão foi formulado apenas contra o dono da Outsider Tours.

Letícia Coppi é sócia da empresa Arena Consultoria Esportiva, que recebeu valores em uma transação destinada à Outsider. Ela é citada na denúncia como esposa de Fernando, informação que ele contesta, afirmando que se trata de uma ex-namorada. Armando Raymundo Neto é sócio da empresa Turisport, cujo CNPJ era utilizado para receber a maior parte dos pagamentos da Outsider Tours nos últimos anos. Ambos já foram funcionários de Fernando.

O promotor também requereu uma série de medidas cautelares, incluindo:

  • O bloqueio de valores nas contas dos três denunciados e das empresas mencionadas.
  • A suspensão das atividades das empresas em plataformas digitais.
  • A interrupção das atividades comerciais.

O objetivo, segundo o MP, é impedir a prática de novos golpes enquanto o processo corre na Justiça.

Histórico de problemas e defesa dos acusados

A Outsider Tours acumula um longo histórico de reclamações. Nos últimos anos, a empresa foi alvo de centenas de investigações e processos nas justiças cível e criminal em todo o país. Um dos casos mais notórios envolve o ator Márcio Garcia, que acusou a agência de estelionato após não receber pacotes contratados.

Em nota, a defesa de Fernando Sampaio informou que vai aguardar a citação formal para se manifestar sobre a denúncia do MPRJ. A advogada de Letícia Coppi negou as acusações e afirmou que sua cliente está à disposição da Justiça. "Estou 100% disponível para o Judiciário para depoimentos e contestar essas inverdades com todas as provas possíveis que possuo em meu poder assim que eu for intimada", disse a defesa. A representação de Armando Raymundo Neto não se pronunciou sobre o caso.

A prisão de Fernando Sampaio em Balneário Camboriú (SC) ocorreu após um mês de monitoramento policial. A operação evidenciou a extensão nacional das investigações contra a Outsider Tours, que, mesmo com dívidas e ações na Justiça, mantinha uma agenda de eventos comercializados até o ano de 2026.