Mãe de adolescente morto em 2017 fica arrasada com absolvição de ex-sargento no Acre
Mãe arrasada com absolvição de ex-PM que matou adolescente no Acre

Mãe de adolescente morto em 2017 fica arrasada com absolvição de ex-sargento no Acre

A mãe do adolescente Fernando de Jesus, morto aos 13 anos em 2017, declarou-se profundamente arrasada após a absolvição do ex-sargento da Polícia Militar do Acre (PM-AC) Erisson de Melo Nery, decidida pelo júri popular na quinta-feira (5), em Rio Branco. Ângela Maria de Jesus afirmou ao g1 que lutou durante nove anos para que o ex-militar fosse condenado, recebendo o resultado do julgamento com imensa tristeza e sensação de injustiça.

Contexto do caso e alegações de legítima defesa

Erisson Nery respondia ao processo desde 24 de novembro de 2017, quando, segundo a denúncia do Ministério Público do Acre (MP-AC), matou o adolescente com pelo menos seis tiros no Conjunto Canaã, bairro Areal, em Rio Branco. A acusação sustentava que o ex-sargento agiu com o intuito de "fazer justiça pelas próprias mãos", após Fernando tentar furtar itens de sua residência. O caso foi inicialmente julgado em 2024, resultando na condenação de Nery, porém, o júri foi posteriormente anulado a pedido da defesa e remarcado para março de 2025.

O advogado de defesa, Wellington Silva, alegou a tese de legítima defesa durante o novo julgamento, argumentando que ficou comprovada a inexistência do crime de fraude processual no júri anterior. Dessa forma, Nery enfrentou o júri popular somente pela acusação de homicídio, sendo absolvido pela decisão unânime dos jurados. O julgamento iniciou às 8h na 1ª Vara do Tribunal do Júri e contou com cinco testemunhas arroladas pelo MP-AC, além de dez apresentadas pela defesa.

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Trajetória judicial e reviravoltas no processo

Erisson Nery havia sido condenado a oito anos de prisão em regime semiberto no dia 23 de novembro de 2024, enquanto o outro denunciado, Ítalo de Souza Cordeiro, foi absolvido pelo crime de fraude processual na mesma decisão assinada pelo juiz Robson Ribeiro Aleixo. Contudo, em maio de 2025, os desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) anularam a sentença, acolhendo um recurso da defesa de Nery.

Os advogados alegaram que o Ministério Público do Acre utilizou provas que não constavam oficialmente nos autos do processo, considerando que a condenação anterior não foi justa. Em razão dessa decisão, um novo júri foi remarcado, culminando na absolvição definitiva do ex-sargento. Após a morte de Fernando, sua mãe, Ângela Maria de Jesus, enfrentou diversas dificuldades para buscar justiça, destacando a disparidade de condições financeiras entre as partes.

Depoimento emocionado da mãe e detalhes do crime

Em entrevista exclusiva ao g1, Ângela Maria de Jesus relatou a curta trajetória de seu filho e expressou seu desespero com o desfecho do caso. "Saber que ele matou meu filho do jeito que matou e ficar livre, como se nada tivesse acontecido, qualquer mãe ficaria arrasada. Foram nove anos batalhando para condenar ele, mas infelizmente ele saiu ileso dessa", lamentou. Ela acrescentou que, mesmo Fernando sendo dependente químico, o menino nunca foi agressivo, não estava armado e tinha porte de criança, não apresentando perigo real ao ex-policial.

Conforme a denúncia, após o homicídio, Nery e seu colega de farda Ítalo Cordeiro alteraram a cena do crime, lavando tanto o corpo da vítima quanto os arredores do local onde estava caído, com o objetivo de fundamentar a alegação de legítima defesa. O ex-sargento foi ouvido em audiência de instrução em agosto de 2022 na 1ª Vara do Tribunal do Júri, mantendo sua versão dos fatos ao longo de todo o processo.

Outras polêmicas envolvendo o ex-sargento

Erisson Nery ficou nacionalmente conhecido após assumir publicamente um relacionamento em trisal com outras duas mulheres em 2021. Alda Radine e Nery, que estavam juntos desde 2000, se apaixonaram por Darlene Oliveira e resolveram mostrar o dia a dia nas redes sociais por meio do perfil "Três Amores", que rapidamente ganhou popularidade e dividiu opiniões na internet.

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No final de novembro de 2021, o trisal viu a vida virar de cabeça para baixo quando o ex-PM apareceu em um vídeo atirando no estudante Flávio Endres após uma briga em uma casa noturna de Epitaciolândia, onde estava acompanhado de Darlene e Alda. O estudante levou ao menos quatro tiros, ficou com sequelas em uma das mãos e passou nove dias internado no Pronto-Socorro de Rio Branco após cirurgia no abdômen.

Neste crime, o ex-militar foi preso em novembro de 2021 e posteriormente condenado por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e lesão corporal grave. A condenação, em torno de nove anos em regime semiaberto, ocorreu em setembro do ano passado, marcando mais um capítulo na trajetória conturbada do ex-sargento.