Polícia Federal desmantela esquema de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (25), a operação "Fallax", com o objetivo de desarticular uma quadrilha suspeita de cometer fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal. A ação resultou na emissão de 21 mandados de prisão pela Justiça Federal, dos quais 15 foram cumpridos, enquanto seis indivíduos permanecem foragidos até o momento desta publicação.
Estrutura profissional e divisão em núcleos
De acordo com a decisão da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, o esquema criminoso possuía uma estrutura profissional para falsificação de documentos e envolvia gerentes da Caixa. A organização estava dividida em quatro núcleos especializados:
- Núcleo Bancário: Responsável pela abertura de contas, concessão de crédito e fornecimento de informações internas, incluindo gerentes como Alexander Amorim de Almeida e Rodrigo Nagao.
- Núcleo Contábil: Atuava na elaboração de documentos falsos, como declarações fiscais e comprovantes de endereço, para viabilizar pedidos de crédito.
- Núcleo Financeiro: Gerenciava contas bancárias em nome de "laranjas", emitia boletos, operava máquinas de cartão e realizava transferências.
- Núcleo de Cooptação: Identificava e aliciava pessoas para figurarem como sócios de empresas de fachada.
Essa estrutura permitiu a constituição reiterada de pessoas jurídicas, a abertura de múltiplas contas bancárias e a celebração de contratos de empréstimo milionários, com movimentações identificadas de, pelo menos, R$ 47 milhões.
Líder e principais envolvidos
O empresário Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, conhecido como "Ralado", é apontado como o líder do esquema. Ele seria responsável pela coordenação das frentes de atuação, incluindo captação de "laranjas", constituição de empresas de fachada e contato com gerentes bancários. Thiago, que tem uma vida de luxo e costuma dar festas para cantores sertanejos, estava foragido durante a operação.
Entre os presos, destacam-se:
- Alexander Amorim de Almeida e Rodrigo Nagao Schissatti, gerentes da Caixa, acusados de abrir contas e conceder empréstimos a empresas de fachada.
- Sarah Tais Barbosa, que geria contas bancárias da organização e do líder Thiago, usando até a própria filha como "laranja".
- Paulo Junior Ferraz, responsável por cooptar pessoas em situação de vulnerabilidade para atuarem como "laranjas".
A investigação também revelou indícios de utilização de criptoativos para circulação e ocultação de valores, além de equipamentos destinados à reprodução de assinaturas, evidenciando uma atuação "industrial e continuada".
Medidas judiciais e colaboração da Caixa
Além dos mandados de prisão, a Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, com o objetivo de descapitalizar a organização criminosa. Foram autorizadas medidas cautelares, como a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 investigados e 172 pessoas jurídicas.
Em nota, a Caixa Econômica Federal afirmou colaborar integralmente com as investigações, destacando suas políticas rigorosas de prevenção a fraudes e lavagem de dinheiro. A instituição reiterou seu compromisso com a integridade e a proteção do patrimônio público, reportando casos de irregularidades aos órgãos competentes.
A operação "Fallax" continua em andamento, com buscas por foragidos e aprofundamento das investigações sobre as ramificações do esquema criminoso.



