Celulares de banqueiro preso revelam ameaças detalhadas contra adversários e jornalistas
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso novamente pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 4 de setembro, na cidade de São Paulo. A detenção ocorre no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras e a atuação de uma milícia privada para intimidar e atacar opositores do empresário.
Mensagens no WhatsApp expõem estrutura de intimidação
De acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal, as investigações revelaram trocas de mensagens pelo aplicativo WhatsApp entre Vorcaro e seus principais colaboradores. O material demonstra a existência de uma estrutura denominada "A Turma", utilizada especificamente para monitoramento ilegal e ações de coação.
O conteúdo das mensagens, segundo a Polícia Federal, envolve diretamente o núcleo de "intimidação e obstrução de justiça", liderado por Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo apelido de "Sicário". Em uma das conversas, Vorcaro ordena explicitamente um ataque a um jornalista após a publicação de notícias desfavoráveis aos seus interesses.
"Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto", escreveu o banqueiro. Mourão respondeu de forma positiva ao comando, e a PF avalia o diálogo como um indício claro de tentativa de forjar um crime com o objetivo de silenciar a imprensa.
Ordens de violência e repasses milionários
Em outra mensagem, ao sentir-se ameaçado por uma empregada doméstica, Daniel Vorcaro demonstrou igual agressividade: "Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda", ordenando em seguida que Mourão levantasse o endereço residencial da mulher.
As investigações apontam que Luiz Phillipi Mourão, que coordenava as atividades de "A Turma", recebia repasses mensais de R$ 1 milhão para realizar os atos de coação. Além disso, as apurações indicam que o controlador do Banco Master utilizava o aplicativo de mensagens para coordenar pagamentos a servidores do Banco Central do Brasil.
Em trocas de mensagens com sua funcionária Ana Claudia, Vorcaro confirmava os valores astronômicos destinados ao grupo de intimidação, detalhando as transações financeiras que sustentavam o esquema.
Relação com servidores do Banco Central
Para além das ameaças, as mensagens apreendidas também evidenciam uma relação de proximidade preocupante entre Daniel Vorcaro e altos servidores do Banco Central do Brasil. Em um dos diálogos, Paulo Sérgio Neves de Souza, então Chefe-Adjunto de Supervisão Bancária, enviou ao banqueiro a imagem de sua própria portaria de nomeação.
Vorcaro respondeu com um simples "Parabéns", em uma demonstração de familiaridade que preocupa as autoridades financeiras e de justiça.
Prisões preventivas e medidas cautelares
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decretou a prisão preventiva de quatro investigados: Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão e Marilson Roseno da Silva. Simultaneamente, foram determinadas medidas cautelares contra servidores do Banco Central do Brasil envolvidos no caso.
A decisão judicial também determinou a suspensão imediata das atividades de empresas que teriam sido utilizadas para lavar o dinheiro que financiava todo o esquema criminoso. As investigações continuam em andamento, com a Polícia Federal coletando novas evidências sobre a extensão das operações.



