Casal é preso e solto após suspeita de golpe de R$ 140 mil em restaurante de Mogi das Cruzes
Casal é preso e solto após golpe de R$ 140 mil em restaurante

Casal é preso e solto após suspeita de golpe de R$ 140 mil em restaurante de Mogi das Cruzes

A Justiça concedeu liberdade provisória a um casal de funcionários suspeito de aplicar um golpe de aproximadamente R$ 140 mil no restaurante onde trabalhava na Vila Partênio, em Mogi das Cruzes. Ellen Luiza Campos Ferreira, de 21 anos, e seu namorado, Daniel De Souza André, de 22, haviam sido presos em flagrante na noite de segunda-feira, 23 de setembro. A soltura ocorreu na terça-feira seguinte, 24 de setembro, após eles passarem por uma audiência de custódia.

Com a decisão judicial, ambos responderão ao processo em liberdade, mas deverão cumprir uma série de medidas cautelares estabelecidas pela Justiça. O caso foi registrado como furto qualificado e localização/apreensão e entrega de objeto na Central de Flagrantes de Mogi das Cruzes.

Como funcionava o esquema de desvio de pagamentos

Segundo a investigação, o casal desviava pagamentos de clientes há pelo menos quatro meses. O esquema foi descoberto depois que um cliente alertou os sócios do estabelecimento por meio de uma rede social. De acordo com o boletim de ocorrência, o cliente informou que um pagamento feito no restaurante apareceu em seu extrato bancário em nome de Ellen, uma das funcionárias, e não no nome da pessoa jurídica do estabelecimento.

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Após o alerta, os proprietários, com o apoio da empresa de segurança que monitora o restaurante, analisaram as imagens das câmeras de vigilância. Os vídeos flagraram o esquema do casal: eles simulavam uma falha na máquina de cartão do estabelecimento, cancelavam a operação e, em seguida, usavam seus próprios celulares para processar o pagamento do cliente em uma máquina pessoal.

O boletim detalha que o funcionário da empresa de segurança chegou a monitorar a ação em tempo real, visualizando ao menos quatro episódios de desvio em um intervalo de apenas uma hora. Além dos pagamentos com cartão, o casal também é suspeito de pegar dinheiro em espécie do caixa e esconder nos bolsos.

Quebra de confiança e prejuízo significativo

Um dos sócios relatou à polícia que Daniel havia sido contratado em julho de 2025 e exercia a função de "mestre do restaurante", um cargo de confiança com responsabilidade pela abertura e fechamento do caixa e do estabelecimento. Ellen começou a trabalhar no local em outubro do mesmo ano.

O prejuízo estimado apenas na última semana foi de R$ 10 mil. Os donos acreditam que o esquema vinha ocorrendo há cerca de quatro meses, totalizando um desfalque de R$ 140 mil. A Polícia Militar foi acionada e prendeu o casal em flagrante. O dinheiro em espécie encontrado com os suspeitos no momento da abordagem foi apreendido e, em seguida, restituído ao proprietário do restaurante.

Segundo o boletim de ocorrência, os funcionários teriam confirmado a prática no local. No entanto, durante o interrogatório na delegacia, acompanhados por um advogado, tanto Daniel quanto Ellen optaram por exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio.

Condições da liberdade provisória

Na audiência de custódia, a Justiça concedeu a liberdade provisória a ambos, sem a necessidade de pagamento de fiança. Para isso, eles deverão cumprir as seguintes medidas cautelares:

  • Comparecer a todos os atos do processo judicial
  • Não se ausentar da Comarca por mais de oito dias sem autorização judicial
  • Comparecer ao Fórum a cada dois meses para informar e justificar suas atividades
  • Ficar proibidos de acessar ou frequentar o restaurante
  • Não manter contato com os demais funcionários do estabelecimento

Posicionamento da defesa dos suspeitos

Por meio de nota, a defesa dos suspeitos afirmou que seu compromisso é garantir que os direitos constitucionais dos investigados sejam respeitados. O advogado destacou que o trabalho da defesa visa assegurar que os fatos "sejam apurados de forma justa, com base em provas concretas e dentro do devido processo legal".

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O representante legal também ressaltou que a escolha de permanecer em silêncio é um direito constitucional e "não pode ser interpretado como presunção de culpa". A defesa concluiu dizendo que confia que o caso "será devidamente esclarecido pelas vias legais, com responsabilidade, serenidade e respeito à Justiça".

O caso continua sob investigação das autoridades competentes, que buscam apurar todos os detalhes do suposto esquema de desvio de recursos que causou prejuízo significativo ao estabelecimento comercial.