O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou um evento do Partido Republicano nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, para atacar ferozmente o ditador venezuelano deposto, Nicolás Maduro. Em seu discurso, Trump classificou Maduro como um "cara violento" e fez comentários irônicos sobre os vídeos em que o líder chavista aparece dançando em aparições públicas.
O ataque pessoal e a operação militar
Durante o evento, realizado no recém-renomeado Trump-Kennedy Center, em Washington, o republicano não poupou críticas. "Ele vai lá em cima e tenta imitar um pouco da minha dança… Mas ele é um cara violento e matou milhões de pessoas", declarou Trump, que costuma encerrar seus comícios dançando ao som de "YMCA", da Village People.
Além do ataque pessoal, Trump elogiou a operação militar americana que resultou na captura de Maduro em Caracas no sábado, 3 de janeiro. "Foi brilhante, taticamente", afirmou. Segundo reportagem do The New York Times, as performances de dança de Maduro teriam sido um fator decisivo para que Trump antecipasse a ação, por acreditar que o venezuelano estaria zombando da crise entre os dois países.
As graves acusações de narcotráfico
Os comentários de Trump ocorrem logo após a divulgação de um novo e abrangente indiciamento contra Maduro. Promotores federais de Manhattan acusam o ex-líder venezuelano de supervisionar pessoalmente uma vasta rede estatal de tráfico de cocaína.
De acordo com a denúncia, a operação criminosa mantinha parcerias com alguns dos grupos mais violentos do mundo, incluindo:
- Os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas.
- O grupo paramilitar colombiano FARC.
- A gangue venezuelana Tren de Aragua.
O documento judicial, que coloca Maduro, sua esposa, seu filho Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior Diosdado Cabello e o líder do Tren de Aragua, Hector Guerrero Flores, como réus, alega que a rede transportou milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos.
Enquadramento como risco à segurança nacional
A acusação formal, conhecida como "indictment", é o instrumento legal que autoriza as graves acusações criminais e a expedição dos mandados de prisão internacional. Com base nela, Maduro passa a ser oficialmente enquadrado como um risco à segurança nacional dos Estados Unidos.
O procurador Jay Clayton afirmou que "Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares".
O enquadramento utiliza uma lei americana criada após os ataques de 11 de setembro de 2001, mesclando direito penal, direito internacional e avaliação de risco à segurança nacional. Este é o arcabouço legal que as autoridades norte-americanas usarão para julgar e condenar o ex-ditador, cuja trajetória controversa é detalhada na peça acusatória, incluindo suposto uso de passaportes diplomáticos para traficantes e facilitação de repatriação de dinheiro do crime.