Uma brasileira de 30 anos foi detida na Coreia do Sul sob suspeita de perseguir o cantor Jung Kook, integrante do famoso grupo BTS. A família da mulher, em contato exclusivo com o g1, afirmou que ela sofre de um transtorno mental e está em uma situação de urgência, buscando trazê-la de volta ao Brasil o mais rápido possível.
Detenções e perturbação na casa do ídolo
De acordo com informações da delegacia de polícia de Yongsan, no centro de Seul, a brasileira foi detida pela primeira vez no dia 4 de janeiro. A prisão ocorreu após ela ter ido até a residência do cantor e supostamente violado a lei contra perseguição. A polícia relatou que a mulher causou perturbação em frente à casa e jogou correspondências no local.
O caso, porém, começou antes. Conforme o jornal The Korea Times, a jovem teria visitado o endereço de Jung Kook pelo menos duas vezes ainda em dezembro. Na ocasião, a família do artista solicitou uma ordem de restrição contra ela. A brasileira já foi liberada após a última detenção, mas o episódio ganhou repercussão internacional e alarmou seus familiares no Brasil.
Família desesperada e histórico de saúde
Uma parente da jovem contou que ela é natural da Paraíba, mas morava em São Paulo há pelo menos dois anos. A viagem para Seul aconteceu em novembro, sem que a família fosse avisada. "Descobrimos que ela estava na Coreia do Sul pelas redes sociais, o que foi um grande susto", relatou.
A familiar revelou que a brasileira está em surto por acreditar que Jung Kook é o grande amor de sua vida. Ela tem um histórico de transtorno mental diagnosticado por psiquiatras e necessita de medicação controlada, que não estaria tomando no momento. "A gente não teve Natal, Ano Novo, nada. Ficamos o tempo todo pensando nela, sozinha e sem a medicação necessária", desabafou.
Foram três detenções no total, e a família teme por sua segurança. Outra parente lembrou de um surto semelhante ocorrido em 2021, quando a jovem foi diagnosticada. A mãe mantém contato diário, mas a brasileira se recusa a voltar ao Brasil voluntariamente.
Estratégia por deportação e dificuldades consulares
Diante da recusa da jovem em retornar, a família, assessorada pela especialista em direito internacional Paloma Lopes Ventura, passou a defender a deportação compulsória. A estratégia é reunir laudos médicos para embasar o pedido junto às autoridades sul-coreanas, já que uma repatriação voluntária é considerada inviável.
Paloma criticou a atuação do consulado brasileiro em Seul, afirmando que, mesmo diante de uma emergência de saúde, o atendimento não tem sido ágil. "Isso é completamente inviável. Ela não vai dar consentimento se está sob uma crise fortíssima do transtorno mental que tem", disse, referindo-se à exigência inicial de consentimento da própria jovem para que o consulado atue.
O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Seul, emitiu uma nota confirmando que tem conhecimento do caso, mantém contato com a família e presta a assistência consular cabível. O Itamaraty, no entanto, não divulga detalhes sobre a assistência prestada, citando o direito à privacidade.
A especialista e a família fazem um apelo para que a situação seja vista como uma urgência clínica e não apenas criminal. "As pessoas, fãs de BTS, precisam saber: não estamos lidando com uma criminosa, estamos lidando com uma pessoa que precisa de apoio médico com extrema urgência", concluiu Paloma. A decisão final sobre a deportação cabe exclusivamente ao governo da Coreia do Sul.