Advogado de Assange defende Maduro em tribunal de NY; réu se diz inocente
Advogado de Assange defende Maduro em tribunal de NY

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, compareceu a um tribunal federal em Nova York nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, para sua primeira audiência judicial nos Estados Unidos. Diante do juiz, Maduro se declarou inocente de todas as acusações e afirmou ser um "prisioneiro de guerra" do governo Trump. A defesa do líder venezuelano ficará a cargo do renomado advogado criminalista Barry Pollack, conhecido por atuar em casos de grande repercussão internacional.

O defensor de alto perfil: Barry Pollack

Barry Pollack não é um nome desconhecido nos tribunais norte-americanos. Com mais de 35 anos de carreira, o advogado especializado em direito criminal construiu uma reputação ao assumir defesas complexas e mediáticas. Seu caso mais emblemático recente foi a representação do fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

Pollack é considerado o grande arquiteto do acordo que resultou na libertação de Assange em 2024. O ativista se declarou culpado por violar a Lei de Espionagem dos EUA, teve sua pena comutada e foi libertado após uma audiência realizada nas Ilhas Marianas do Norte, retornando em seguida para a Austrália.

Outro caso que projetou a carreira de Pollack foi a defesa de Michael W. Krautz, um funcionário da empresa de energia Enron. Enquanto 22 pessoas foram condenadas no escândalo de fraude contábil que levou a empresa à falência, Krautz foi um dos poucos inocentados das acusações de crimes fiscais federais, com a defesa conduzida por Pollack.

Os detalhes da audiência de Maduro

Nicolás Maduro foi capturado por forças militares dos EUA em Caracas na madrugada de sábado, 3 de janeiro. Ele e sua esposa, Cilia Flores, foram levados para o Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn.

Durante a audiência de custódia, Maduro compareceu com algemas nos tornozelos e utilizou um fone de ouvido para acompanhar a tradução. O Departamento de Justiça dos EUA o acusa formalmente de quatro crimes:

  • Conspiração para o narcoterrorismo;
  • Conspiração para o tráfico de cocaína;
  • Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
  • Conspiração para posse de metralhadoras para uso pelo narcotráfico.

Em sua declaração ao tribunal em Manhattan, Maduro foi enfático: "Eu sou inocente. Eu sou um homem decente. Eu sou um presidente".

Próximos passos no processo

A audiência desta segunda-feira foi um trâmite burocrático inicial, onde o réu ouve formalmente as acusações. O juiz responsável pelo caso já marcou uma nova sessão para 17 de março, quando Maduro e sua esposa deverão prestar depoimento.

A operação militar norte-americana em solo venezuelano e a subsequente captura e julgamento de um chefe de estado em exercício geram um intenso debate sobre o direito internacional. Especialistas já apontam que a ação desafia normas estabelecidas, criando um precedente significativo nas relações entre países.

Enquanto aguarda o desenrolar do processo judicial, Maduro permanece detido em Nova York, defendido por uma equipe jurídica que tem histórico de enfrentar casos considerados quase impossíveis pelo sistema de justiça dos Estados Unidos.