Polícia Civil esclarece pontos cruciais da investigação sobre agressões ao cão Orelha
A Polícia Civil de Santa Catarina emitiu um comunicado nesta sexta-feira, dia 6, detalhando os aspectos fundamentais que conduziram ao indiciamento de um adolescente suspeito de cometer agressões contra o cão comunitário conhecido como Orelha. O caso, que ocorreu na Praia Brava, em Florianópolis, gerou comoção pública e exigiu uma apuração minuciosa por parte das autoridades.
Vídeo divulgado tem caráter ilustrativo, afirma polícia
Segundo a corporação policial, o vídeo que circulou mostrando o adolescente saindo do condomínio onde estava hospedado teve uma função meramente ilustrativa. A produção foi realizada em parceria com a Secretaria de Estado da Comunicação, com o objetivo de exemplificar uma das diversas imagens capturadas pelas câmeras de segurança do local durante a madrugada do dia 4 de janeiro.
Esse frame específico não altera as conclusões já estabelecidas pelo inquérito, que foi finalizado na terça-feira, dia 3. Nele, o jovem foi indiciado por ato infracional análogo a maus-tratos, e a polícia solicitou a internação provisória do adolescente.
Linha do tempo e movimentações do suspeito
De acordo com as investigações, o adolescente entrou e saiu repetidamente da área da piscina em direção à praia ao longo daquela madrugada. A cronologia estabelecida pela polícia aponta os seguintes momentos-chave:
- Às 5h25, ele saiu acompanhado por outros rapazes.
- Retornou às 5h58, desta vez na companhia de uma amiga.
- As agressões ao cão Orelha teriam ocorrido por volta das 5h30, durante esse intervalo.
- Posteriormente, às 6h35, saiu novamente com a jovem e voltou às 6h37.
O frame divulgado corresponde justamente a esse último deslocamento, servindo como uma representação visual das movimentações registradas.
Investigação continua com rigor técnico
A Polícia Civil de Santa Catarina reforçou que mantém a condução da investigação com rigor técnico, aguardando a conclusão da extração de dados dos celulares apreendidos dos adolescentes envolvidos. Essas análises podem corroborar as evidências já coletadas ou até mesmo trazer novas informações à luz.
Paralelamente, o Ministério Público de Santa Catarina informou que, nos próximos dias, solicitará novas diligências e esclarecimentos à polícia sobre os inquéritos relacionados aos casos dos cães Orelha e Caramelo, além dos crimes de coação e ameaça associados aos episódios na Praia Brava.
Defesa contesta autoria e apresenta vídeo
Na quarta-feira, dia 4, a defesa do adolescente divulgou um vídeo que, segundo os advogados, mostra o cão Orelha caminhando pela vizinhança por volta das 7h do dia 4 de janeiro. Esse horário seria posterior ao período estimado pela polícia para as agressões, que é em torno de 5h30.
Os representantes legais negam a participação do adolescente nos maus-tratos e argumentam que o material contradiz a linha do tempo apresentada pelas autoridades. Alexandre Kale, advogado do jovem, afirmou que o vídeo evidencia a fragilidade dos indícios e questionou a determinação do momento exato da morte do animal.
Condição do animal e laudos periciais
O cão Orelha foi encontrado ferido na praia no dia 5 de janeiro e faleceu após ser encaminhado a um veterinário. Testemunhas relataram ter visto o animal machucado no dia 4, e responsáveis pelo resgate destacaram que seu estado de saúde piorou significativamente no dia seguinte.
Depoimentos e laudos indicam que as lesões evoluíram ao longo de dois dias. Derli Royer, que prestou socorro emergencial, descreveu ferimentos graves na cabeça e no olho esquerdo do cão, além de forte desidratação. O laudo da Polícia Científica concluiu que Orelha sofreu um golpe forte na cabeça, possivelmente causado por um chute ou por um objeto rígido, como madeira ou garrafa.
A delegada responsável pelo caso explicou que a investigação se baseou em múltiplos elementos, incluindo imagens de câmeras, testemunhos e análises periciais, consolidando as evidências que levaram ao indiciamento do adolescente.