A chuva intensa que caiu sobre o Distrito Federal na tarde de domingo (25) desempenhou um papel inesperado em um momento histórico: ajudou a dissipar a imensa nuvem de poeira branca gerada pela implosão do Torre Palace, o primeiro hotel de luxo construído em Brasília. Em apenas cinco segundos, às 10h em ponto, a carcaça do edifício que um dia representou glamour e ostentação desmoronou após a detonação estratégica de 165 kg de explosivos.
Operação controlada com incidentes menores
A área ao redor do lote, localizado no Setor Hoteleiro Norte, ficou completamente tomada pela poeira que subiu dos destroços. Imagens registradas pela TV Globo mostraram janelas quebradas no hotel Nobile Suites, situado em frente ao antigo Torre Palace, devido aos detritos lançados pela implosão. O prédio havia sido completamente esvaziado pela Defesa Civil horas antes da operação, como parte do planejamento meticuloso.
Graças a essas medidas preventivas, não houve feridos e os danos foram limitados. A Secretaria de Segurança Pública do DF classificou a ação como "um sucesso, desde o seu planejamento até a sua execução", nas palavras do secretário Sandro Avelar, minutos após o desmoronamento. Ele destacou que ainda há trabalho a ser feito, incluindo a vistoria dos escombros para garantir que não reste nenhum resíduo explosivo.
Preparações e alertas à população
Meia hora antes da demolição, por volta das 9h30, um alerta intrusivo da Defesa Civil foi disparado para celulares nas proximidades da área central de Brasília. A mensagem, acompanhada de sirene, advertia: "ALERTA DE COLAPSO DE EDIFICAÇÃO - IMPLOSÃO DO TORRE PALACE HOTEL, se mantenha fora da zona de exclusão até a liberação". Alarmes sonoros também foram emitidos no local, sinalizando o início iminente da implosão.
A operação atraiu centenas de curiosos que se reuniram fora da área de exclusão, em pontos considerados seguros. O barulho da queda foi ouvido a quilômetros de distância, chegando até as primeiras quadras da Asa Sul. A Vigilância Ambiental do DF recomendou o uso de máscaras PFF2 e que pessoas com imunodeficiências mantivessem distância, devido ao risco de partículas contaminantes de fezes de pombos e ratos serem lançadas no ar pela nuvem de poeira.
Detalhes técnicos da implosão
Segundo a engenheira responsável pela implosão, Lorrana Oliveira, os explosivos foram instalados em pontos estratégicos: no térreo, nos três primeiros andares e no sétimo andar. Nos andares inferiores, uma tela de proteção foi montada para conter o espalhamento dos escombros, enquanto no sétimo andar, uma estrutura de arame com manta geotêxtil envolveu os pilares.
"Os explosivos são colocados na base, onde os pilares são mais armados. Os da quina são acionados primeiro, e o restante segue uma sequência temporal", explicou Lorrana. Três hotéis localizados a 100 metros do Torre Palace foram evacuados, veículos foram removidos dos estacionamentos próximos e a área foi isolada para pedestres.
Futuro do terreno e passado do edifício
Nos próximos dias, equipes atuarão no local para remover as toneladas de entulho geradas pela detonação. O lote, na área central de Brasília, está destinado a receber um novo hotel de luxo com 250 apartamentos, embora ainda não tenha nome nem data de inauguração definidos.
O Torre Palace, que já foi um símbolo de glamour, havia se transformado em uma carcaça decadente, com estruturas expostas e sem móveis. Por anos, o prédio foi ocupado irregularmente por usuários de drogas e pessoas em situação de rua, refletindo um ciclo de abandono e disputas judiciais que marcaram sua história recente. Sua implosão encerra um capítulo significativo na paisagem urbana da capital federal, dando lugar a um novo projeto que promete revitalizar a área.