O menor município do Brasil, Serra da Saudade, em Minas Gerais, acaba de se tornar pioneiro em segurança energética no país. Com uma população de pouco mais de 800 habitantes, a cidade é a primeira a receber um sistema anti-apagão inovador, baseado em armazenamento de energia solar em baterias, capaz de manter o fornecimento de eletricidade por até 48 horas em caso de interrupção da rede principal.
Um projeto pioneiro em segurança energética
Desenvolvido e inaugurado pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) na quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, o sistema representa um investimento de cerca de R$ 7 milhões. A solução é composta por oito baterias fornecidas pela empresa WEG, que totalizam uma capacidade de armazenamento de 2 MWh (megawatt-hora).
A grande vantagem do sistema é sua operação totalmente automatizada. Sensores inteligentes monitoram a rede constantemente. Ao detectar qualquer oscilação ou falha no fornecimento principal, as baterias são acionadas instantaneamente e sem necessidade de intervenção humana, garantindo que os moradores não percebam a troca de fonte de energia.
Vantagens econômicas e expansão do projeto
Além de assegurar o abastecimento contra apagões, a infraestrutura instalada em Serra da Saudade também melhora a qualidade da energia fornecida, reduzindo distúrbios e mantendo a tensão elétrica dentro dos padrões regulatórios. Para a Cemig, a solução com baterias se mostrou financeiramente muito mais atrativa do que opções tradicionais.
Conectar o município a uma segunda rede elétrica não autônoma custaria aproximadamente R$ 30 milhões, valor mais de quatro vezes superior ao investido no sistema com energia solar e baterias. Diante do sucesso, a empresa pública já planeja expandir a iniciativa para pelo menos outras dez cidades mineiras com características similares, especialmente aquelas em regiões de topografia difícil e afastadas dos grandes centros, onde a implementação de redes convencionais é mais cara.
Tecnologia e operação do sistema
Todas as residências de Serra da Saudade foram equipadas com medidores inteligentes de energia da Nansen, uma empresa de origem brasileira. Essa tecnologia permite que o fornecimento de energia de toda a cidade seja monitorado remotamente do centro de operações da Cemig em Belo Horizonte.
A geração de energia é feita por placas solares com vida útil estimada em 25 anos. Um detalhe importante do projeto é que, quando as baterias atingem sua capacidade máxima, a geração solar é desligada. A energia excedente não é injetada na rede porque a infraestrutura local não tem robustez suficiente para receber esse fluxo adicional.
Em um cenário considerado altamente improvável pela Cemig – um apagão que durasse mais de dois dias –, as baterias seriam completamente drenadas. O recarregamento total do sistema levaria cerca de 12 horas. A operação é 100% automatizada, e a estatal não mantém funcionários no local para operar as baterias ou os painéis solares.
A meta da Cemig é ambiciosa: garantir um fornecimento secundário de eletricidade para todas as cidades onde atua até 2027. O modelo adotado em Serra da Saudade, combinando energia renovável e armazenamento, surge como uma solução promissora, especialmente para pequenas localidades, pavimentando o caminho para uma rede elétrica mais resiliente e sustentável no interior do Brasil.