Fim de uma Era: Orelhões Serão Removidos das Ruas do Brasil a Partir de 2026
Os orelhões, como são popularmente conhecidos os telefones públicos, estão com os dias contados em todo o território nacional. No mês de janeiro, iniciou-se o processo de retirada desses aparelhos, marcando o fim de uma era na comunicação brasileira. A medida ocorre devido ao encerramento das concessões do serviço de telefonia fixa, que obrigava as empresas a manterem essa infraestrutura.
Resistência no Piauí: Cidades Mantêm Orelhões em Funcionamento
No estado do Piauí, a situação é peculiar, com dezenas de orelhões ainda em operação na maioria dos municípios. Apesar da obsolescência tecnológica, impulsionada pela massiva popularização da internet móvel e dos smartphones, muitas localidades piauienses continuam a utilizar esses telefones públicos. Em Teresina, a capital, apenas quatro unidades permanecem, mas a realidade é bem diferente em outras cidades do estado.
Palmeirais, por exemplo, destaca-se com impressionantes 18 orelhões em uso, demonstrando uma forte resistência à mudança. Outros municípios também apresentam números expressivos desse serviço:
- Barras: 15 orelhões
- União: 14 orelhões
- Esperantina: 11 orelhões
- Batalha: 11 orelhões
Prazo Final e Exceções: Até 2028 em Áreas Sem Cobertura Celular
A retirada definitiva dos orelhões está programada para começar em 2026, seguindo o cronograma estabelecido pelas concessionárias. Contudo, haverá exceções para cidades onde não há rede de celular disponível. Nessas localidades, os telefones públicos poderão ser mantidos, mas apenas até o ano de 2028, quando a transição deve estar completamente concluída.
No Piauí, o serviço é prestado pelas empresas Oi e Claro, que, com o final do contrato de concessão, deixaram de ter a obrigação legal de sustentar a infraestrutura dos orelhões. Isso significa que, a partir de agora, a manutenção e existência desses aparelhos dependem de decisões locais e da disponibilidade de alternativas tecnológicas.
História e Legado do Orelhão: Uma Invenção Brasileira que Cruzou Fronteiras
O orelhão é uma criação emblemática da arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, concebida em 1971. Curiosamente, o design quase foi batizado de Chu I ou Tulipa, mas acabou se popularizando com o nome pelo qual é conhecido hoje. Sua estrutura icônica foi tão bem-sucedida que foi replicada em diversos países, incluindo Peru, China, Angola e Moçambique, tornando-se um símbolo de inovação e acessibilidade na comunicação pública.
À medida que o Brasil avança rumo à digitalização, o desaparecimento dos orelhões representa não apenas uma mudança tecnológica, mas também o fim de um capítulo significativo na história das telecomunicações do país. Enquanto isso, no Piauí, essas estruturas resistem, lembrando-nos de uma época em que fazer uma ligação exigia uma moeda e um pouco de paciência.