Globo enfrenta ação judicial de ONGs de proteção animal por série sobre rodeios
A emissora Globo foi notificada nesta semana sobre um processo movido por duas organizações não governamentais dedicadas à causa animal. O Instituto Thaís Viotto e a Canto da Terra ingressaram com uma ação conjunta na justiça de São Paulo, alegando que a série documental Vida de Rodeio, exibida entre outubro e dezembro do ano passado, cometeu omissões graves ao retratar a atividade.
Alegações das entidades e pedidos no processo
Segundo as ONGs, a produção televisiva romantizou os rodeios ao apresentar informações inverídicas sobre o tratamento dos animais, sem oferecer qualquer contraponto ou mencionar os maus-tratos infligidos. Elas argumentam que o programa falhou em destacar os danos ambientais e os sofrimentos físicos e psicológicos que os bichos enfrentam antes, durante e depois das provas.
Para embasar essas acusações, as instituições anexaram ao processo imagens de flagrantes de maus-tratos ocorridos em diversos rodeios e vaquejadas. O documento judicial solicita que a Globo inclua na série manifestações de representantes das ONGs e veterinários, abordando a causa animal e os aspectos críticos dos rodeios.
Detalhes da produção e prazos legais
Vida de Rodeio é uma parceria entre a equipe do Globo Rural e o núcleo de documentários da emissora, composta por oito episódios. A série tem como ponto de partida a edição de 2024 da Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo, e se encerra com cenas do circuito mundial de rodeio no Texas, Estados Unidos.
A Globo foi formalmente notificada sobre a ação na quinta-feira, dia 22 de janeiro de 2026, e dispõe de um prazo de dez dias para apresentar sua defesa. Caso a juíza responsável pelo caso considere o processo procedente, a emissora poderá ser condenada ao pagamento de uma multa, além de outras determinações judiciais.
Posicionamento da emissora e implicações do caso
Até o momento, a Globo não se manifestou publicamente sobre o processo, mesmo após contato da imprensa para obter um posicionamento. Este caso levanta questões importantes sobre a responsabilidade das emissoras na representação de atividades controversas e o direito à informação equilibrada, especialmente em temas sensíveis como o bem-estar animal.
As ONGs também pedem que, em caso de condenação, a emissora conceda espaço equivalente ao da série para a manifestação de especialistas, garantindo igual oportunidade de exposição das informações jurídicas, técnicas e científicas disponíveis sobre os rodeios. O desfecho deste processo poderá influenciar futuras produções midiáticas e o debate público sobre práticas envolvendo animais no Brasil.