Paleontólogos descobrem nova espécie de réptil no RS a partir de crânio minúsculo
Nova espécie de réptil descoberta no RS com crânio de 9,5 mm

Paleontólogos da UFSM revelam descoberta de nova espécie de réptil no Rio Grande do Sul

Uma equipe de paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) anunciou, nesta quarta-feira (28), a descoberta de uma nova espécie de réptil a partir da análise de um crânio fossilizado de apenas 9,5 milímetros. O fóssil foi encontrado no município de Novo Cabrais, no Rio Grande do Sul, e representa um marco significativo para a paleontologia brasileira.

O menor tetrápode do Triássico sul-americano

Conforme os pesquisadores, o exemplar pertence ao grupo dos procolofonídeos e é considerado o menor tetrápode já registrado no período Triássico da América do Sul. Tetrápodes são vertebrados que possuem quatro membros, e este período histórico abrange entre 251 e 201 milhões de anos atrás.

O paleontólogo Rodrigo Muller, integrante da equipe, destacou a singularidade da descoberta: "Para a idade dele, é o menor vertebrado fóssil já registrado na nossa região, não só no Brasil, mas também na América do Sul. A gente não encontra um fóssil de um animal terrestre tão pequeno quanto esse aqui".

Técnicas avançadas para análise do fóssil minúsculo

A preparação do material exigiu cuidados extremos devido ao seu tamanho reduzido. Os pesquisadores trabalharam sob lupa, utilizando agulhas para evitar danos ao frágil crânio. Além disso, foram empregadas tomografias e modelos tridimensionais (3D) para analisar a estrutura sem necessidade de manuseio direto.

Muller explicou a importância dessas técnicas: "Pegá-lo é quase impossível; no computador, vemos a região do palato e a dentição". Essa abordagem não invasiva permitiu um estudo detalhado das características anatômicas do animal.

Características e hábitos do Sauropia macrorhinus

A nova espécie, batizada de Sauropia macrorhinus, media aproximadamente 5 centímetros de comprimento e apresentava narinas grandes e dentes pontiagudos. Essas características sugerem que o animal tinha um hábito predatório, alimentando-se de pequenos invertebrados.

Embora sua aparência possa lembrar a de um lagarto muito pequeno, o Sauropia macrorhinus pertence a uma linhagem distinta de répteis, conhecida como pararépteis, que está completamente extinta. A descoberta foi conduzida pelo Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA/UFSM), reforçando o papel do Rio Grande do Sul como um importante sítio paleontológico.

Esta revelação não apenas expande o conhecimento sobre a biodiversidade pré-histórica da região, mas também demonstra como avanços tecnológicos estão revolucionando a paleontologia, permitindo a análise de fósseis antes considerados inacessíveis devido ao seu tamanho diminuto.