Força-tarefa atua para extinguir incêndio subterrâneo em depósito de lixo em Presidente Prudente
Uma operação de emergência está em andamento em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, para combater um incêndio subterrâneo que já dura mais de três meses em um depósito de descarte irregular na Vila Furquim. Desde outubro de 2025, duas fumaças foram registradas no local, indicando a persistência do fogo sob a superfície, que representa um risco significativo para a saúde pública e o meio ambiente.
Remoção de entulho e ações de controle
Até esta quinta-feira (22), agentes municipais retiraram aproximadamente mil metros cúbicos de entulho do depósito, como parte de um esforço coordenado para controlar e, idealmente, eliminar o incêndio. O material removido está sendo transferido para uma área considerada segura pelas autoridades, a fim de evitar novos focos de combustão.
O trabalho, que começou há 15 dias, envolve equipes da Defesa Civil e das secretarias municipais de Meio Ambiente, Obras e Agricultura. Para garantir a segurança e a efetividade das operações, foi elaborado um planejamento operacional detalhado, que inclui:
- Isolamento completo da área afetada
- Controle rigoroso de acesso ao local
- Resfriamento do solo para reduzir a temperatura
- Remoção sistemática da massa de resíduos para um local estável, fora de risco de combustão
Monitoramento e responsabilização
A força-tarefa conta com o apoio essencial do Corpo de Bombeiros e é acompanhada de perto pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema). O promotor de Justiça Gabriel Lino de Paula Pires está monitorando as ações realizadas no local, assegurando que todas as medidas legais e técnicas sejam cumpridas.
Em dezembro, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) responsabilizou a Prefeitura de Presidente Prudente pelo incêndio subterrâneo. Com base em informações técnicas do Gaema, a situação foi confirmada como um quadro grave de poluição, com impactos significativos à saúde e ao meio ambiente. Um inquérito civil apontou falhas estruturais do poder público municipal na gestão e na fiscalização de resíduos sólidos.
Segundo o documento, essas falhas contribuíram para a consolidação da área como depósito irregular e para o agravamento do incêndio subterrâneo. Diante desse cenário, a prefeitura foi responsabilizada como poluidora indireta e, em casos de participação material, também como poluidora direta, devido a omissões relevantes que agravaram o dano ambiental.
Compromisso público e próximos passos
Na época, a prefeitura emitiu uma nota afirmando que, se necessário, faria a retirada total dos itens do local, medida que está sendo implementada atualmente. A administração municipal se comprometeu a acompanhar a situação de perto e adotar todas as medidas legais e técnicas cabíveis para preservar a segurança e o interesse público.
Este caso destaca os desafios enfrentados por municípios na gestão adequada de resíduos sólidos e a importância de ações rápidas e coordenadas para mitigar danos ambientais. A comunidade local aguarda ansiosamente pela resolução definitiva do problema, que já afeta a região há meses.