Salva-vidas de 24 anos morre sugado por ralo em parque aquático Wet'n Wild, SP
Salva-vidas morre sugado por ralo no Wet'n Wild, Itupeva

Um jovem salva-vidas de 24 anos morreu de forma trágica no parque aquático Wet'n Wild, localizado em Itupeva, no interior de São Paulo. Guilherme da Guerra Domingos perdeu a vida após ser sugado por um sistema de drenagem enquanto tentava recuperar uma aliança para um turista na atração Water Bomb. O acidente ocorreu na quarta-feira (14), por volta das 12h50, pouco depois da abertura do parque ao público.

Detalhes do Acidente e Denúncias de Funcionários

De acordo com relatos de funcionários que preferiram não se identificar, a atração Water Bomb, também conhecida como "bomba d'água", apresentava problemas de segurança. Uma colaboradora afirmou ao g1 que o brinquedo estava interditado havia cerca de um mês devido a um corte no pé de uma pessoa na escada de acesso. Apesar disso, a atração teria sido reaberta sob pressão de superiores.

A mesma funcionária desabafou sobre as condições do local: "A atração só é liberada, digamos assim, se essa manutenção for feita. Até a qualidade da água, se a água estiver mais turva, mais verde, a gente não pode abrir o brinquedo, que era uma situação que estava acontecendo no Water Bomb. Porém, a gente teve que abrir por reclamação de superior e acaba caindo a culpa no guarda-vidas".

Ela detalhou ainda que o brinquedo possui três toboáguas, sendo um deles com menor vazão de água, o que fazia com que os visitantes saíssem do túnel mais devagar e próximos à borda da piscina, local onde o acidente aconteceu. A piscina tem 2,77 metros de profundidade.

Falta de Equipamentos e Condições Precárias

Em entrevista à TV TEM, outras funcionárias denunciaram más condições de trabalho e a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Uma delas relatou estruturas de madeira apodrecida, equipamentos enferrujados e uma sensação constante de insegurança. "A gente trabalha lá sem a menor noção se vai voltar vivo", declarou.

Outra colaboradora foi enfática ao afirmar que o Water Bomb estava em situação perigosa e sem a grelha de proteção adequada, o que não atenderia aos critérios do checklist diário de segurança. Sobre o acidente, ela disse: "Ele foi sugado e não saiu da piscina, mas não porque não sabe nadar ou não tem técnica, mas sim porque alguma coisa o impediu. Oito funcionários precisaram tentar tirar ele".

Resposta do Parque e Investigação

O Wet'n Wild emitiu uma nota lamentando a morte de Guilherme, que atuava como líder dos salva-vidas, e informou que está prestando apoio à família e colaborando com as autoridades. O parque negou que a piscina possua ralo, explicando que o sistema hidráulico é composto por drenos laterais, localizados em direção oposta à saída dos toboáguas.

O comunicado ainda afirmou que "as atrações e piscinas seguem normas rígidas" e que o parque passa por renovações frequentes, com checagens técnicas periódicas. Em decorrência da tragédia, o parque ficou fechado na quarta (14) e quinta-feira (15), com previsão de retomar as atividades na sexta-feira (16).

Após o mergulho fatal, outros salva-vidas retiraram Guilherme da água. Ele recebeu os primeiros atendimentos das equipes do Serviço de Urgência e Emergência no local e foi encaminhado ao Hospital Municipal Nossa Senhora Aparecida, mas não resistiu aos ferimentos. O caso segue sob investigação.