Rio de Janeiro regulamenta veículos elétricos, mas comissão critica riscos à mobilidade
Rio regulamenta veículos elétricos, mas comissão aponta riscos

Rio de Janeiro regulamenta uso de veículos elétricos, mas comissão especializada aponta graves riscos

A Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio de Janeiro (CSC-RJ) emitiu uma nota pública nesta segunda-feira (6) criticando severamente o decreto da Prefeitura do Rio que regulamenta o uso de bicicletas elétricas, patinetes e ciclomotores na cidade. A entidade alerta que a medida, publicada sem diálogo adequado com especialistas, pode gerar sérios riscos à mobilidade urbana, à economia local e à segurança jurídica dos cidadãos.

Falta de diálogo e impactos negativos no cotidiano

Segundo a CSC-RJ, o texto municipal foi elaborado e publicado sem a participação da sociedade civil organizada e de especialistas do setor, o que pode resultar em impactos negativos significativos no dia a dia da população. Embora reconheça alguns avanços na regulamentação, como a definição clara de regras de circulação e a proibição de ciclomotores em ciclovias, a comissão afirma que as restrições impostas são excessivas e podem dificultar deslocamentos essenciais em diversas regiões da cidade.

"A proibição de circulação de bicicletas elétricas e patinetes elétricos em vias com limite de até 60 km/h, mesmo na ausência de infraestrutura cicloviária, pode inviabilizar deslocamentos essenciais em diversas regiões da cidade", destaca a nota pública da entidade.

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Impactos diretos na mobilidade urbana e na economia

A comissão argumenta que as novas regras afetarão diretamente trabalhadores, especialmente entregadores por aplicativo, e o funcionamento do comércio local, particularmente em áreas onde não existem ciclovias adequadas. A restrição de circulação em vias estruturais, como aquelas que conectam bairros da Zona Sul com a região central, pode criar barreiras significativas para deslocamentos cotidianos.

"Essa restrição impacta diretamente trabalhadores, especialmente entregadores, e o funcionamento do comércio local", afirma o documento, que cita exemplos práticos de trajetos que seriam prejudicados pela nova regulamentação.

Insegurança jurídica e conflitos com a legislação federal

Outro ponto de grande preocupação levantado pela CSC-RJ é a possível insegurança jurídica gerada pelo decreto municipal. A comissão alerta que a criação e sobreposição de classificações de veículos podem aumentar a complexidade regulatória e criar confusão para usuários, comerciantes e operadores logísticos.

Além disso, a entidade questiona a compatibilidade do decreto com o Código de Trânsito Brasileiro, afirmando que "do ponto de vista jurídico, o decreto suscita dúvidas quanto à sua compatibilidade com dispositivos do Código de Trânsito Brasileiro".

Críticas específicas às exigências de segurança

A comissão também contesta a obrigatoriedade universal do uso de capacete para todas as bicicletas elétricas, sem distinção de potência ou velocidade. Segundo o documento, essa exigência diverge de práticas internacionais consolidadas e pode desestimular o uso desse modal de transporte sustentável.

Persistem ainda dúvidas operacionais importantes sobre a aplicação das regras, especialmente em relação aos procedimentos para registro e emplacamento dos veículos, diante da ausência de clareza sobre a competência e estrutura dos órgãos responsáveis pela fiscalização.

Principais pontos do decreto municipal

O decreto, publicado uma semana após um grave acidente que vitimou uma mulher e seu filho na Tijuca, estabelece as seguintes regras principais:

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  • Proibição de circulação em vias com limite superior a 60 km/h
  • Restrições de uso em vias de até 60 km/h, dependendo do tipo de veículo
  • Definição de categorias específicas de veículos com base em características próprias
  • Exigência de capacete para todos os condutores
  • Proibição de circulação em calçadas, com exceções limitadas
  • Previsão de fiscalização por órgãos municipais e ações educativas

Propostas de solução e apelo ao diálogo

Apesar das críticas, a CSC-RJ reconhece que a regulamentação é necessária e defende ajustes no texto, com base em políticas públicas mais amplas e inclusivas. A entidade reitera sua disposição para o diálogo e para a construção conjunta de soluções que promovam uma mobilidade urbana mais segura, inclusiva e sustentável.

Entre as propostas apresentadas pela comissão estão:

  1. Expansão significativa da infraestrutura cicloviária na cidade
  2. Redução da velocidade máxima permitida nas vias urbanas
  3. Campanhas educativas contínuas para todos os usuários do trânsito
  4. Fiscalização com foco prioritário na segurança viária
  5. Harmonização das regras municipais com a legislação federal vigente

A Prefeitura do Rio de Janeiro afirma que o objetivo do decreto é aumentar a segurança viária e organizar a convivência entre diferentes modais de transporte. No entanto, especialistas e a própria CSC-RJ alertam que o texto, em sua forma atual, pode ter efeito contrário ao gerar insegurança jurídica e dúvidas sobre sua aplicação prática no cotidiano da cidade.