A busca por um lugar para estacionar na movimentada Orla de Maceió, especialmente no trecho da Pajuçara, tem se transformado em um verdadeiro desafio para visitantes e trabalhadores locais. Comerciantes e turistas relatam que as poucas vagas disponíveis ficam ocupadas durante quase todo o dia, um problema agravado recentemente pelo fechamento de áreas públicas de estacionamento para obras de requalificação.
Obras fecham estacionamentos sem aviso prévio
Dois pontos específicos estão no centro das reclamações. Um deles fica próximo à base do Corpo de Bombeiros, onde equipes trabalham na recuperação do piso e das calçadas de um local que antes funcionava como estacionamento, conforme ainda indicam placas de sinalização antigas. O outro ponto crítico é ao lado da tradicional Feirinha da Pajuçara.
Nessa área, o estacionamento público foi fechado, restando apenas algumas vagas para carga e descarga dos comerciantes. O presidente da associação da feirinha, José Correia, afirmou que a mudança foi implementada sem qualquer aviso prévio às pessoas que dependem do local. "Está sendo um transtorno por causa do estacionamento", disse ele em entrevista à TV Asa Branca Alagoas.
Impacto direto no comércio e no turismo
José Correia detalhou os prejuízos: as pessoas têm dificuldade para carregar mercadoria, os carros de aplicativo encontram obstáculos para deixar turistas e os visitantes que vêm de carro próprio enfrentam enorme dificuldade de acesso. O comerciante Alex Feitosa vive na prática esse problema. Por falta de espaço, ele precisou parar sua caminhonete em uma área destinada exclusivamente a taxistas.
"Dificultou muito. Todos os dias a gente tem que chegar mais cedo para descarregar e sair rápido", relatou Feitosa, ilustrando como a nova realidade impõe uma logística complicada para o abastecimento das barracas.
Requalificação é acompanhada pelo MPF e tem base legal
As intervenções na orla fazem parte de um projeto maior de reordenamento, que é acompanhado de perto pelo Ministério Público Federal (MPF). A procuradora Niedja Kaspary explicou que há uma recomendação do órgão e uma decisão judicial em vigor, decorrente de uma ação civil pública movida pelo próprio MPF em 2018, que determina o reordenamento da área.
Segundo a procuradora, o município alega que as obras visam criar áreas de convivência para a população, com o plantio de vegetação. "Uma das obrigações do município é reduzir equipamentos privados e ampliar os equipamentos públicos destinados à população como um todo", afirmou Kaspary, acrescentando que as ações também buscam cumprir leis ambientais, como as de permeabilidade do solo para evitar alagamentos.
Em nota, a Prefeitura de Maceió defendeu as ações, afirmando que, desde o ano passado, implementa medidas baseadas na Política Nacional de Mobilidade Urbana e no Código de Trânsito Brasileiro para reorganizar o trânsito na região da orla marítima da capital. O impasse, no momento, coloca de um lado a necessidade de modernização e adequação ambiental da cidade e, do outro, o cotidiano afetado de quem trabalha e frequenta um dos cartões-postais mais famosos de Alagoas.