Motorista de carreta envolvido em grave acidente em Chapecó é solto após decisão judicial
O motorista da carreta desgovernada que atingiu múltiplos veículos e deixou dez pessoas feridas em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, no final de janeiro, foi solto após uma decisão judicial. A liberação ocorreu após o juiz acatar um pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que avaliou não haver necessidade de manter a prisão para garantir a ordem pública.
Detalhes do acidente e investigação
O grave incidente ocorreu na tarde do dia 30 de janeiro, por volta das 15h15, na movimentada Avenida Fernando Machado. Câmeras de monitoramento registraram o momento em que a carreta, carregada com madeira laminada e trafegando no mesmo sentido dos outros veículos, atingiu vários carros pela traseira. O motorista estava preso desde a data do acidente, mas na terça-feira, 24 de fevereiro, assinou o alvará de soltura.
Apesar da liberdade, o condutor agora é réu no processo e deverá cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça. Entre elas estão a obrigação de manter o endereço atualizado e comparecer a todos os atos processuais. Ele responde por 20 tentativas de homicídio em concurso formal, uma figura legal aplicada quando uma única ação resulta em múltiplos crimes.
Condições mecânicas precárias e negligência
Segundo a denúncia do MPSC, aceita em fevereiro pelo juízo da 1ª Vara Criminal da comarca de Chapecó, o motorista sabia das más condições mecânicas da carreta e, mesmo assim, decidiu prosseguir com a viagem. A investigação, concluída em 20 de fevereiro, revelou que o veículo apresentou problemas previamente, entre Xaxim e Cordilheira Alta, a aproximadamente 20 quilômetros de Chapecó.
O laudo pericial apontou falhas graves no sistema de freios, pneus em condições inadequadas e alterações irregulares na suspensão. Os peritos concluíram que a falta de manutenção e a falha no sistema de frenagem foram determinantes para o acidente, destacando que o caso poderia ter sido evitado com os devidos cuidados.
Posicionamento do Ministério Público
Na denúncia, a promotora de Justiça Júlia Ferreira Santos afirmou que o motorista agiu com "ganância e absoluto desprezo pela vida alheia", priorizando a entrega da carga em detrimento da segurança pública. Ela ressaltou que não houve mortes devido a fatores independentes da vontade do condutor, como a absorção parcial do impacto pelas estruturas dos veículos atingidos, o acionamento de dispositivos de segurança e manobras evasivas realizadas por algumas vítimas.
A identidade do motorista não foi divulgada oficialmente, e não foi possível estabelecer contato com sua defesa. O caso continua em tramitação na Justiça, com o réu respondendo criminalmente pelas graves consequências de sua negligência ao volante.



