Motorista grávida atropela e mata motociclista após briga de trânsito em Santos, SP
Luiz Roberto Ferreira, o motociclista atropelado por uma motorista grávida durante uma briga de trânsito em Santos, no litoral de São Paulo, faleceu após quase um mês internado na Santa Casa de Santos. Ele deixou a esposa Alessandra Aparecida da Silva, de 51 anos, e um filho de 32 anos.
Viúva promete lutar por justiça
Alessandra declarou ao g1 que não permitirá que o caso fique impune. “A gente não pode deixar impune uma pessoa que usou um carro como uma arma”, afirmou a viúva, demonstrando determinação em buscar responsabilização legal.
Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento exato em que Luiz foi atingido pelo carro na Avenida Nossa Senhora de Fátima, na Zona Noroeste de Santos. A motorista foi detida em flagrante no dia 20 de fevereiro, e sua prisão preventiva foi inicialmente decretada, mas posteriormente convertida para domiciliar devido à sua condição de gestante. A identidade da condutora não foi divulgada pelas autoridades.
Sequência trágica de eventos
Após o atropelamento, Luiz chegou a se levantar com um ferimento na perna, mas logo sofreu uma parada cardíaca e precisou de socorro imediato. Durante o transporte até o hospital, ele sofreu outras três paradas cardíacas e foi colocado em coma induzido pelos médicos.
A esposa relatou que o marido recuperou a consciência após alguns dias, mas suas condições pré-existentes de saúde, combinadas com as múltiplas paradas cardíacas ocasionadas pelo acidente, agravaram seu estado. “Ele ficou consciente, tinha melhorado bastante até, só que o coração já não aguentava mais”, explicou Alessandra.
Luiz lutou pela vida por quase um mês, mas seus órgãos estavam debilitados pelos procedimentos médicos intensivos. Ele faleceu na quinta-feira (19), exatamente 29 dias após o atropelamento.
Busca por justiça e indenização
A família anunciou que lutará judicialmente para que a motorista seja presa e pague indenização por danos morais e materiais. “Eu espero que a justiça a prenda e a deixe muito tempo lá pensando no que ela fez”, declarou Alessandra, que também expressou desejo por uma reflexão espiritual da condutora sobre suas ações.
Luiz foi velado em Praia Grande na sexta-feira (20) e será sepultado em Santo André, no estado de São Paulo.
Legado de amizade e companheirismo
Alessandra passou mais da metade de sua vida ao lado de Luiz, com quem iniciou um relacionamento aos 13 anos. “A gente está junto desde sempre”, lamentou a viúva, destacando o vínculo duradouro do casal.
De acordo com Alessandra, Luiz era extremamente querido e deixou dezenas de amigos. “O maior legado dele foi ser amigo”, afirmou, descrevendo o marido como uma pessoa de bom coração, companheira e sonhadora.
Detalhes do incidente
O acidente ocorreu quando Luiz estava parado no semáforo com seu cunhado, que seguia em outra motocicleta. A motorista chegou em alta velocidade e iniciou uma discussão no dia 20 de fevereiro. Quando os motociclistas viraram para fazer um retorno na via, a condutora seguiu o mesmo caminho e atropelou um deles.
A mulher tentou fugir do local, mas o cunhado da vítima conseguiu pegar a chave do carro e acionar a polícia. Na ocasião, ela foi detida em flagrante, e o caso foi registrado como tentativa de homicídio qualificado.
Segundo o delegado Milson Calves Neto, do 5° Distrito Policial de Santos, a motorista alegou ter sido ofendida pela vítima e que o atropelamento teria sido acidental, sem intenção de causar danos. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não se manifestou sobre as medidas tomadas pela polícia após o falecimento de Luiz Roberto Ferreira.



