Câmeras flagram avião colidindo contra prédio residencial em Belo Horizonte
Câmeras flagram avião atingindo prédio em BH

Acidente aéreo em Belo Horizonte deixa três mortos e dois feridos

Câmeras de segurança capturaram o instante exato em que um avião monomotor atingiu um edifício residencial de três andares em Belo Horizonte. O acidente ocorreu na última segunda-feira, 4 de maio de 2026, quando a aeronave decolou do Aeroporto da Pampulha com destino a São Paulo, transportando cinco pessoas. O Globocop acompanhou o início do voo, mas, pouco após a decolagem, por volta das 12h16, o avião não conseguiu ganhar altura. Apenas três minutos depois, colidiu contra o prédio, resultando na morte do piloto e de dois passageiros.

Relatos de moradores e sobreviventes

A representante comercial Avani Soares, moradora do primeiro andar, estava na cozinha no momento do impacto. "Escureceu tudo, um monte de poeira, eu não sabia identificar", relatou. Ao sair, precisou pisar no combustível vazado, temendo uma explosão: "Eu saí de baixo, pisando no combustível que já tinha vazado. O combustível vazou isso aqui todinho."

O policial militar Richard de Souza, que mora no segundo andar, estava em seu último dia de férias com a esposa e o filho de 5 anos. Ao ouvir o estrondo e sentir o tremor, levou a família para um local seguro e retornou para ajudar outros moradores, especialmente idosos e crianças. Nas escadas, encontrou o passageiro Arthur Berganholi, de 25 anos, com fratura exposta e hemorragia intensa. Usando seu treinamento, aplicou um torniquete para estancar o sangramento: "Eu consigo voltar para o meu apartamento, pegar um torniquete e aplico próximo à virilha dele", explicou.

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Vítimas e resgate

Das cinco pessoas a bordo, três foram resgatadas com vida inicialmente: Arthur, seu pai Leonardo Berganholi (50 anos) e Emerson Cleiton Almeida (53 anos). Leonardo, porém, faleceu horas depois no hospital. O piloto Wellinton de Oliveira Pereira (34 anos), natural do Paraná, morreu no local, deixando esposa e um filho de 5 anos. O passageiro Fernando Moreira Souto (36 anos), veterinário e filho do prefeito de Jequitinhonha, também foi uma das vítimas fatais. Seu tio e padrinho, Marco Antônio Moreira, lamentou: "Ele era o único sobrinho que eu tinha... E tenho." O amigo Iago Pereira, que conversou com Fernando minutos antes do voo, recordou: "Nos encontramos no hangar, ficamos conversando ali, esperando dar a hora deles decolarem. O que mais me dói é essa questão de ter sido o último encontro."

Impacto e destruição

O avião atingiu o terceiro andar, destruindo uma parede da fachada entre as vigas de sustentação e invadindo a cozinha de um apartamento vazio. No apartamento vizinho, a empreendedora Claudete Martins viu a aeronave vindo em sua direção ao tentar fechar a janela: "Eu vim fechar a janela para não entrar muita poeira. E quando eu chego aqui na janela eu vejo o avião vindo bem na minha direção. E recuei para trás. Parece que o piloto fez uma manobra na hora, para não bater em mim." Após o choque, ficou retida pela fumaça e destroços até ser orientada pelos bombeiros. "Acho que não chegou a minha hora. Deus tem um propósito. E Ele tocou no piloto, né? Desvia dela", desabafou.

A cozinha atingida pertencia ao apartamento do engenheiro mecânico Fausto Avelar e da química Natália Amaral. A família, que inclui um bebê de três meses e uma filha de um ano e cinco meses, não estava no local porque decidiu permanecer em Jabuticatubas para uma missa. Fausto soube do ocorrido por uma vizinha: "Uma vizinha me ligou, perguntou assim, 'Fausto, cadê seus meninos?' Eu falei 'tá aqui comigo'. Ela falou 'você tá vendo eles?' Eu falei 'tô'. Ela falou 'graças a Deus, você tá bem?'" Natália refletiu: "Normalmente a gente estaria aqui. É muito difícil pensar o que poderia ter acontecido. Nossa, ia ser uma fatalidade, com certeza."

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Investigações e especialistas

As causas do acidente continuam sob investigação. A delegada Andrea Pochmann, da Polícia Civil de Minas Gerais, aguarda o relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) para verificar possíveis falhas humanas ou técnicas. Em nota, o CENIPA informou que a conclusão ocorrerá no menor prazo possível, dependendo da complexidade. O especialista José Cândido Almeida Jr., professor da PUC-MG, afirmou: "As imagens dão a impressão que o avião tinha uma dificuldade de ascender. Isso pode ser um indício de que aerodinamicamente o avião não estava respondendo aos comandos do piloto."

Estado dos sobreviventes e retorno dos moradores

Os sobreviventes Emerson e Arthur permanecem internados. Emerson teve lesões graves no tórax e abdômen, enquanto Arthur recupera-se da fratura na perna e, segundo sua namorada Liza Schofield, não se lembra do acidente. A Defesa Civil já autorizou o retorno dos moradores ao Condomínio Juliano. Para Avani Soares, o desafio agora é superar o trauma: "Aviões passam muito por aqui, você estremece, você arrepia, não é fácil, porque vai ficar muito trauma. A gente vai ter que se esforçar, mas ser muito grata porque não explodiu o prédio, que era para ir tudo para os ares."