A proposta pelo fim da escala de trabalho 6×1, de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), se transformou em uma das principais bandeiras do governo Lula para a campanha de reeleição em 2026. O caminho para que a ideia ganhasse status de prioridade no Palácio do Planalto passou pelo estratégico gabinete da Secretaria de Comunicação (Secom) e pela percepção aguçada do ministro Sidônio Palmeira sobre seu potencial eleitoral.
Uma porta aberta com um vídeo nas redes
A relação produtiva entre a parlamentar e a Secom começou há aproximadamente um ano, em um contexto de combate à desinformação. Erika Hilton produziu um vídeo para rebater diretamente as alegações do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre uma suposta e falsa "taxação do Pix". A atuação rápida e eficaz da deputada ajudou o governo a conter uma onda de desgaste nas redes sociais, chamando a atenção positiva de Sidônio Palmeira.
Essa primeira interação bem-sucedida abriu as portas para discussões mais profundas. Quando Erika Hilton, autora de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera as relações trabalhistas, passou a tratar do fim da escala 6×1 com o marqueteiro de Lula, ela já tinha crédito estabelecido. Palmeira enxergou no tema não apenas uma demanda justa, mas um forte apelo popular.
Da menção incipiente ao carro-chefe da campanha
O ministro da Secom começou a testar as águas publicamente. No dia 1º de Maio de 2025, ele inseriu uma menção inicial ao tema no pronunciamento do presidente Lula pelo Dia do Trabalhador. A reação medida em pesquisas de opinião subsequentes foi decisiva. Os números mostraram um apoio massivo da população, convencendo Palmeira de que havia encontrado uma bandeira poderosa para a busca da reeleição do petista.
O movimento ganhou força. No discurso de Natal, o próprio presidente Lula embarcou definitivamente na proposta, referindo-se a ela como uma "demanda do povo" que os políticos têm o dever de "transformar em realidade". A partir daí, a aprovação da mudança na legislação trabalhista deixou de ser apenas um projeto parlamentar para se tornar assunto de governo e carro-chefe oficial para a campanha pelos próximos quatro anos de mandato.
Apoio popular e articulação política
Os dados que sustentam a estratégia são robustos. Uma pesquisa realizada pelo instituto Quaest e divulgada em julho do ano passado revelou que 71% dos brasileiros apoiam a proposta de alteração do modelo atual de escala. Esse índice de aprovação explica a "obsessão" do chefe da Secom pelo tema, conforme ele mesmo definiu como prioridade máxima para 2026 em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo.
A articulação para transformar a proposta em lei está em andamento. Além da PEC de Erika Hilton, há uma proposta similar do senador Paulo Paim (PT-RS), que já recebeu aprovação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em dezembro. Com o apoio de Sidônio Palmeira, a deputada do PSOL realizou uma série de reuniões com ministérios da Esplanada envolvidos no tema.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, deixou claro o compromisso do governo. Em declaração à revista VEJA, Boulos afirmou: "Queremos aprovar o fim da escala 6×1 ainda neste ano. Se não for aprovada, não tenha dúvida que será um tema forte para o presidente Lula". Ele lembrou que o presidente já defendeu a medida em dois pronunciamentos em cadeia nacional, sempre vinculando-a à redução da jornada de trabalho sem corte nos salários.
Atualmente, a proposta conta com o reforço da máquina governista, incluindo uma parceria com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Erika Hilton aguarda agora estudos dos ministérios da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, e do Planejamento e Orçamento, sob responsabilidade de Simone Tebet, que avaliarão o impacto econômico de sua PEC.
A deputada expressa publicamente sua gratidão a Sidônio Palmeira, reconhecendo-o como o primeiro ministro do governo Lula a dar protagonismo à causa do fim da escala 6×1. A história que começou com um vídeo de resposta nas redes sociais evoluiu para uma pauta que pode definir parte dos rumos da próxima eleição presidencial.