O Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro reafirmou oficialmente seu apoio ao prefeito Eduardo Paes (PSD) como candidato ao governo do estado nas eleições de 2026. A decisão, tomada em meio a articulações internas por uma candidatura própria petista, tem como objetivo principal construir um palanque eleitoral forte para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nota oficial define prioridade e gera tensão interna
Em nota divulgada no sábado, 10 de janeiro de 2026, o diretório estadual do PT fluminense foi categórico. O documento estabelece como "prioridade absoluta garantir a reeleição de Lula para presidente do Brasil, derrotando o bolsonarismo em seu berço". Para alcançar esse objetivo, a legenda definiu que o caminho é apoiar a campanha de Eduardo Paes ao Palácio Guanabara.
A publicação desautoriza explicitamente "quaisquer manifestações individuais de filiados ou dirigentes" que possam atrapalhar essa aliança. O texto alerta que quem obstruir esse acordo estará, na visão da direção partidária, fortalecendo a direita e prejudicando o presidente Lula.
Racha no PT: Ceciliano versus aliança com Paes
A posição oficial do partido surge como uma resposta direta a movimentações de uma ala interna que defendia uma estratégia mais ousada. Este grupo, que conta com figuras como o deputado federal Lindbergh Farias, propunha lançar o nome de André Ceciliano para um possível mandato-tampão no governo do Rio.
A especulação sobre Ceciliano ganhou força com a iminente renúncia do atual governador, Cláudio Castro (PL), que deve deixar o cargo para concorrer ao Senado. Isso abriria uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde Ceciliano, ex-presidente da casa entre 2019 e 2023, teria prestígio. No entanto, essa hipótese dependia de um aval de Lula que nunca foi publicamente manifestado.
Do outro lado do racha interno está a ala liderada pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá, cujo grupo político comanda o PT no estado. Quaquá é um defensor ferrenho da aliança com Eduardo Paes desde o início das especulações eleitorais.
Cenário eleitoral e os desafios da aliança
Eduardo Paes, atualmente em seu quarto mandato à frente da prefeitura do Rio, lidera com folga as pesquisas de intenção de voto para o governo estadual. Nos últimos anos, ele acumulou diversas aparições públicas ao lado do presidente Lula, sinalizando a proximidade entre ambos.
Apesar da aliança formalizada pelo PT, o papel exato do partido na campanha de Paes ainda não está totalmente definido. O prefeito, ciente de que o eleitorado fluminense tem perfil majoritariamente conservador, teme uma associação muito forte com a esquerda. Esse receio tem reflexo em seu discurso mais endurecido na área de Segurança Pública e no investimento na Força de Segurança Municipal, uma guarda armada que será lançada na cidade.
A estratégia petista, conforme a nota, é compor a chapa de Paes com um vice de seu partido ou lançar um candidato ao Senado. Contudo, esses detalhes da coalizão ainda não foram garantidos e serão objeto de negociação nos próximos meses.
A decisão do PT do Rio coloca um ponto final, pelo menos momentaneamente, nas incertezas sobre sua estratégia eleitoral. Prioriza a construção de uma frente ampla contra o bolsonarismo em um estado considerado chave, mesmo que isso signifique abrir mão de uma candidatura própria ao governo. O episódio deixa claro que, para a cúpula partidária local, o projeto de reeleger Lula se sobrepõe a quaisquer ambições individuais ou de grupo no interior da sigla.