UEPB implementa catracas com reconhecimento facial para reforçar segurança no campus
UEPB instala catracas com reconhecimento facial em Campina Grande

UEPB reforça segurança com sistema de reconhecimento facial em catracas eletrônicas

A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) deu início a um ambicioso projeto de segurança no campus I, localizado em Campina Grande, no Agreste paraibano. A instituição está implantando catracas eletrônicas equipadas com identificação biométrica facial em prédios estratégicos, marcando uma evolução significativa no controle de acesso ao ambiente universitário.

Implantação gradual e funcionamento previsto

O novo sistema de reconhecimento facial está programado para entrar em pleno funcionamento com o retorno das aulas presenciais do semestre 2026.1, previsto para o mês de abril. Enquanto isso, as aulas do semestre 2025.2 retornam de forma presencial nesta segunda-feira (2), após um período conturbado que incluiu greve docente entre setembro e dezembro do ano passado e atividades remotas de 10 dias em dezembro.

Neste retorno imediato, durante os meses de fevereiro e março, o acesso aos prédios permanece livre, sem a utilização das catracas com reconhecimento facial. No entanto, é importante destacar que o monitoramento por câmeras de segurança já está em pleno funcionamento, estabelecendo uma camada preliminar de vigilância.

Primeira etapa de instalação e locais prioritários

Nesta fase inicial do projeto, as catracas estão sendo instaladas em dois edifícios fundamentais:

  • Central Acadêmica Paulo Freire
  • Centro de Ciência e Tecnologia (CCT)

De acordo com informações oficiais da universidade, quando o sistema estiver completamente operacional, o acesso a esses prédios será realizado exclusivamente por meio do reconhecimento facial, eliminando outras formas de entrada não autorizadas.

Contexto de segurança e medidas complementares

As medidas de segurança ganham especial relevância quando consideramos o trágico episódio ocorrido em 3 de abril de 2025, quando um ataque a tiros dentro de uma copiadora na Central Acadêmica Paulo Freire resultou na morte de Keine Diniz, 40 anos, e deixou ferido o copista Wesley Porto. O autor dos disparos, Flávio Medeiros, cometeu suicídio após o crime, que segundo a Polícia Civil foi motivado por vingança relacionada ao fim de um relacionamento.

Além das vítimas diretas, outras pessoas foram afetadas pela situação, incluindo uma estudante que pulou do primeiro andar durante a correria e um idoso que passou mal após ouvir os tiros. Este incidente destacou a necessidade urgente de reforçar os protocolos de segurança no ambiente universitário.

Infraestrutura de vigilância já implementada

A UEPB já conta com uma sólida infraestrutura de monitoramento em operação:

  1. Aproximadamente 168 novas câmeras de segurança instaladas em pontos estratégicos do campus
  2. Sistema de monitoramento eletrônico integrado com parceria da Polícia Militar através do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC)
  3. Vigilância interna da própria instituição
  4. Algumas câmeras utilizam inteligência artificial capaz de identificar situações de risco ou emergência e acionar automaticamente a equipe de segurança

A Central Acadêmica Paulo Freire, em particular, passou a contar com quatro câmeras por andar, equipadas com visão de 360 graus e capacidade equivalente a oito câmeras convencionais cada uma.

Processo de cadastramento biométrico

O cadastramento da biometria facial será realizado de forma simples e totalmente digital através do Sistema Unificado de Administração Pública (SUAP). A base de dados reunirá informações de estudantes matriculados e servidores da instituição, que serão encaminhadas à empresa responsável pela implantação das catracas.

Os critérios para a fotografia do cadastro seguem padrões rigorosos, similares aos exigidos em documentos oficiais:

  • Fundo branco
  • Imagem atualizada
  • Ausência de acessórios como óculos e bonés
  • Não permitir paisagens ou outros elementos no enquadramento

Cada integrante da comunidade acadêmica receberá um link individual para realizar o cadastro da biometria facial, que será vinculada ao banco de dados do sistema de controle de acesso.

Escopo do projeto e fase experimental

O projeto prevê a instalação de 12 catracas eletrônicas com reconhecimento facial em diferentes pontos do campus. Segundo a pró-reitora da UEPB, Weruska Brasileiro Ferreira, "esse novo sistema ainda é um protótipo. O semestre 2025.2 será um período de experimentação, com seis meses de avaliação. A partir de 2026.1, a ideia é que só tenha acesso quem estiver devidamente cadastrado".

Quando estiver em pleno funcionamento, o fluxo de pessoas na Central Acadêmica Paulo Freire e no Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) será monitorado pelo Centro Integrado de Comando e Controle de Campina Grande (CICC).

Medidas adicionais de segurança

Além dos prédios acadêmicos, a universidade já implementou um controle de acesso mais rigoroso em laboratórios que utilizam substâncias químicas fiscalizadas pelo Exército e pela Polícia Federal. Os equipamentos utilizam inteligência artificial e possuem alta sensibilidade para identificar movimentos bruscos, brigas e situações consideradas suspeitas.

A estrutura de segurança inclui ainda:

  • Instalação de 14 totens de segurança, tecnologia adotada em estratégias de combate à criminalidade em espaços públicos
  • Expansão da vigilância eletrônica, com o Câmpus I passando a contar com mais de 600 câmeras distribuídas em pontos estratégicos
  • Implantação de botões de pânico, que devem entrar em fase de testes ainda neste semestre

A proposta dos botões de pânico é que, ao acionar o dispositivo em situações de risco, o usuário tenha contato direto com o setor de segurança da UEPB e com a Polícia Militar, ampliando significativamente a capacidade de resposta rápida a ocorrências dentro da universidade.

Esta iniciativa representa um investimento substancial em tecnologia de segurança por parte da UEPB, demonstrando o compromisso da instituição com a proteção de sua comunidade acadêmica e a criação de um ambiente mais seguro para o desenvolvimento das atividades educacionais.