O início de 2025 foi marcado por uma agitação inesperada no mercado de inteligência artificial. A empresa chinesa DeepSeek lançou um assistente capaz de rivalizar com o gigante americano ChatGPT, da OpenAI, prometendo desempenho similar por uma fração do custo. Contudo, a febre inicial parece ter dado lugar a um cenário de expectativas moderadas, com a nova concorrente não conseguindo manter o mesmo impacto.
O adiamento que esfriou o mercado
A principal razão para essa perda de momentum foi o atraso no lançamento do DeepSeek R2, a nova geração do modelo de IA da companhia. A expectativa era que ele chegasse ao público em maio de 2025, mas o plano foi adiado. Em junho, o site The Information informou que o adiamento ocorreu porque o CEO da DeepSeek, Liang Wenfeng, estava insatisfeito com o desempenho do modelo.
O desenvolvimento enfrenta outro obstáculo estrutural: a DeepSeek opera com uma equipe e infraestrutura menores do que seus rivais diretos. Especialmente crítica é a questão dos chips usados para treinar sistemas de IA, um componente vital e caro nessa corrida tecnológica.
A guerra dos chips e o veto americano
O cenário geopolítico complica ainda mais a trajetória da DeepSeek. Em dezembro, uma reportagem do The Information apontou que a empresa estaria usando o chip Blackwell da Nvidia, banido para exportação para a China pelos Estados Unidos. Considerado um dos mais avançados da Nvidia, o Blackwell foi alvo de embargo devido à acirrada competição no setor de IA.
A Nvidia se pronunciou sobre as alegações, afirmando para jornais americanos que "não teve comprovação de que seus chips estavam sendo desviados". A empresa acrescentou: "Embora esse contrabando pareça improvável, investigamos qualquer informação que recebemos".
Poucos dias antes da reportagem, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que autorizaria a venda para a China de chips H200, de nível inferior ao Blackwell. Lançados no segundo trimestre de 2024, os H200 estão tecnologicamente cerca de 18 meses atrás das soluções mais avançadas da Nvidia. A permissão, segundo Trump, seria para "clientes aprovados na China e em outros países, sob condições que garantam uma segurança nacional sólida".
Do topo da App Store à perda de interesse
O aplicativo do DeepSeek foi lançado em 20 de janeiro de 2025 e, em apenas uma semana, conquistou o topo do ranking da App Store da Apple. No entanto, desde esse pico inicial, não conseguiu alcançar ou sustentar o mesmo nível de interesse popular que o ChatGPT.
Dados do Google Trends mostram que a empresa teve um crescimento significativo nas buscas após o lançamento do app, mas não manteve o ritmo. O grande atrativo inicial foi a proposta de ser um rival viável ao ChatGPT com um custo de desenvolvimento drasticamente menor.
Enquanto os desenvolvedores do DeepSeek afirmam ter gasto apenas US$ 5,6 milhões para construir o modelo, a OpenAI investiu US$ 5 bilhões apenas em 2024 no ChatGPT. O lançamento surpresa da IA chinesa foi tão impactante que fez gigantes tecnológicas americanas perderem mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado em um episódio batizado de "momento Sputnik" – referência ao lançamento do satélite soviético em 1957 que pegou os EUA de surpresa e deu início à corrida espacial.
Agora, com o adiamento do DeepSeek R2 e as limitações impostas pela guerra tecnológica entre EUA e China, a disputa pela liderança na inteligência artificial segue acirrada, mas com a vantagem inicial da concorrente chinesa parecendo menos ameaçadora.