Observatório em Minas Gerais captura imagens da cápsula Orion da missão Artemis II
Observatório em MG capta cápsula Orion da Artemis II no espaço

Observatório brasileiro registra cápsula da missão Artemis II no espaço profundo

Um observatório localizado na cidade de Caeté, em Minas Gerais, conseguiu realizar um registro extraordinário da cápsula Orion, pertencente à missão Artemis II, enquanto ela se encontrava a mais de 300 mil quilômetros de distância da Terra. Esta missão histórica, com duração aproximada de dez dias, representa o retorno de astronautas às proximidades da Lua após mais de cinco décadas, tendo como objetivo principal testar sistemas essenciais da nave Orion com humanos a bordo.

Observatório Sonear: uma história de descobertas astronômicas

O Observatório Sonear foi construído e planejado por dois mineiros de Belo Horizonte, Eduardo Pimentel e Cristóvão Jacques. Sua primeira descoberta significativa ocorreu em janeiro de 2014, com a identificação do cometa Sonear C/2014 A4, que acabou batizado em homenagem ao próprio observatório. Segundo Cristóvão Jacques, engenheiro e astrônomo, as observações da cápsula foram realizadas em quatro noites consecutivas, entre a última quinta-feira, dia 2, e a noite de segunda-feira, dia 6, período no qual foram obtidos quatro registros distintos do objeto em movimento no céu.

"O observatório é especializado em pesquisa de asteroides próximos à Terra e usamos o mesmo método para capturar imagens da Artemis II. São imagens de curta duração que depois são empilhadas [unidas] via software", explicou o astrônomo, detalhando a técnica utilizada.

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Dados da NASA foram fundamentais para o registro preciso

Para conseguir registrar a cápsula com sucesso, Jacques precisou recorrer inicialmente aos dados oficiais disponibilizados pela NASA. A partir dessas informações, que incluem a trajetória da nave, horários previstos e sua posição no espaço, foi possível calcular as coordenadas precisas da cápsula no céu, conhecidas como ascensão reta e declinação, que funcionam como um verdadeiro "endereço" celeste.

"Esses números foram inseridos no software que controla o telescópio, permitindo que o equipamento apontasse exatamente para o ponto onde a Orion estaria passando e acompanhasse o deslocamento dela em tempo real", afirmou Jacques. A observação foi realizada com um telescópio refletor de 450 milímetros de abertura, acoplado a uma câmera digital de alta sensibilidade própria para astronomia, capaz de registrar objetos muito distantes e em movimento rápido.

Processo de captura e importância da divulgação científica

Como a cápsula cruza o céu em alta velocidade, o processo exigiu a captura de várias imagens em sequência, que posteriormente foram tratadas e combinadas para destacar o objeto e tornar o registro visível. Segundo Cristóvão, o telescópio capturou imagens desde quando a nave estava a 36 mil quilômetros até a noite de segunda-feira, dia 6, quando já se encontrava a pouco mais de 400 mil quilômetros da Terra.

Jacques ressaltou que não há nenhum interesse científico direto na obtenção das imagens da Orion, mas o registro cumpre um papel crucial na divulgação científica. "Isso aproxima o público de missões espaciais complexas, até porque muitas pessoas não acreditam que somos capazes de enviar foguetes para o espaço. Essas imagens mostram que, mesmo a partir de um observatório em Minas Gerais, é possível acompanhar eventos que acontecem fora da Terra", concluiu o astrônomo, enfatizando o valor educativo e inspirador do feito.

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