Uma miniatura na mesa de Leonardo Capatto antecipa como ficará o ônibus Marcopolo III após a restauração. O veículo, que transportou jogadores do time de futebol do América-SP para partidas longe de São José do Rio Preto (SP) entre 2008 e 2017, foi vendido ao empresário de Artur Nogueira (SP). A réplica resgata as cores da Viação Capatto, empresa que pertencia ao seu avô e que será homenageada na renovação do veículo.
História do veículo e desafios da restauração
Será a quarta pintura do ônibus, fabricado em 1982 para a Viação Itamarati e vendido posteriormente à Turística Rio Preto antes de pertencer ao clube de futebol da cidade. O restauro será realizado na garagem da empresa da família, que possui 40 ônibus e profissionais de várias áreas de manutenção. O primeiro desafio, após o transporte, é a obtenção dos retrovisores originais e das capinhas laterais dos bancos.
Leonardo conseguiu algumas peças novas, como as ponteiras dos para-choques, fabricadas sob encomenda pela antiga fornecedora da Marcopolo. Ele estima gastar na restauração três vezes mais do que pagou pelo ônibus, isso se não houver surpresas. Devido à complexidade, o tempo de restauro não pode ser estimado, mas o veículo poderá ser visto no futuro em feiras de ônibus antigos e outros eventos.
Homenagem familiar e viralização nas redes
Há duas semanas, imagens do antigo Marcopolo III saindo guinchado do estádio Benedito Teixeira, o Teixeirão, onde esteve parado nos últimos nove anos, viralizaram nas redes sociais. Muitos acharam que o ônibus estava indo para a sucata e se entristeceram. Na verdade, os 316 quilômetros entre Rio Preto e Artur Nogueira marcaram o início de uma nova história.
"Nós somos uma pequena empresa de ônibus e tudo começou com um modelo desse aí. Meu pai tinha um ônibus que ele mesmo dirigia e ficava na frente da minha casa, então eu cresci dentro desses ônibus e sempre procurei um exemplar desse para fazer um tributo", explica Capatto, que também é motorista e eletricista na empresa familiar da terceira geração.
Negociação com o América-SP e detalhes da homenagem
O comprador destaca que todo o esforço visa homenagear as três gerações da família Capatto dedicadas ao transporte: o avô, Acácio, iniciou o negócio com uma Kombi em 1966, e foi sucedido pelos filhos Jorge, seu pai, e Leandro, seu tio. Por isso, a restauração seguirá as cores da primeira empresa da família.
"Mas isso não quer dizer que o América será esquecido. Vamos encontrar um cantinho nele para colocar uma placa registrando que ele pertenceu ao clube e fez o transporte dos jogadores, com alguma foto simbólica de um jogo", adianta Leonardo.
Sobre a negociação, o presidente do América, Marcos Vilela, afirmou que, desde o início de sua gestão em outubro de 2024, trabalha para recuperar a imagem do clube e melhorar as condições do estádio Teixeirão. Após orçar o conserto do ônibus com três mecânicos, concluiu-se que não seria viável devido ao alto custo e possíveis problemas constantes.
"Aí partimos para o segundo objetivo, que era buscar alguém que poderia adquiri-lo para restauração, porque jamais nós iríamos vendê-lo para sucata, não era nosso intuito. Graças a Deus conseguimos negociar e chegar a um valor que era interessante para o América e para esta empresa", conta Vilela.



