Manifestação em Tóquio reúne 50 mil defensores da Constituição de 1947
No último domingo, 3 de maio, cerca de 50 mil pessoas se aglomeraram em um parque na capital japonesa, Tóquio, para expressar seu apoio à Constituição de 1947. A mobilização ocorreu no Dia da Constituição, em meio aos esforços da primeira-ministra Sanae Takaichi para abrir o Japão ao mercado global de armas e revisar a Carta Magna, com o objetivo de remover restrições às Forças Armadas nipônicas.
Onda de protestos se espalha pelo país
O ato em Tóquio foi acompanhado por dezenas de manifestações em outras cidades japonesas, refletindo a insatisfação popular com a possível revisão constitucional. A primeira grande mobilização ocorreu em fevereiro, quando 3.600 pessoas se reuniram em frente ao Parlamento. Desde então, o movimento pacifista ganhou força, com um protesto posterior atraindo 36 mil participantes.
Haruka Watanabe, de 87 anos, disse à agência Kyodo: “Quero valorizar a constituição como valorizo meu próprio filho e passá-la para a próxima geração”. A declaração ecoa o sentimento de muitos que temem que a mudança possa envolver o Japão em conflitos internacionais.
A cláusula pacifista e o debate sobre a revisão
A Constituição de 1947, elaborada após a Segunda Guerra Mundial, é conhecida por seu artigo 9, a chamada “cláusula pacifista”, que proíbe o Japão de usar a força militar para resolver disputas. Uma legislação aprovada há dez anos já permitiu o uso da força para autodefesa, mas Takaichi defende uma reforma mais ampla, argumentando que a Carta precisa ser atualizada.
Pesquisas mostram divisão na opinião pública: o jornal conservador Yomiuri Shimbun aponta que 57% dos japoneses são a favor da revisão, enquanto o Asahi Shimbun, de tendência progressista, indica 47% de apoio. Para aprovar a mudança, o governo precisa de dois terços dos votos em ambas as casas legislativas e maioria simples em referendo.
Críticas à prioridade militar
Megumi Koike, vereador local, criticou a iniciativa em entrevista ao The Guardian: “Takaichi acha que a maioria dos japoneses quer mudar a constituição por causa de ameaças da China e da Coreia do Norte, mas isso não é verdade. Deveríamos gastar dinheiro com saúde, educação e empregos, não com mais armas”.
Em viagem ao Vietnã, a premiê defendeu a revisão, afirmando que a Constituição deve ser “periodicamente atualizada para refletir as demandas da época”. Ela acrescentou que “para manter a confiança depositada neles pelo povo, os políticos devem discutir a questão e tomar uma decisão”.



