Montadoras globais recuam de carros elétricos e apostam em motores a combustão
Montadoras recuam de carros elétricos e apostam em combustão

Montadoras globais recuam de carros elétricos e retomam aposta em motores a combustão

Gigantes da indústria automotiva, como Ford, Mercedes-Benz e Volkswagen, estão reduzindo suas metas de eletrificação diante da demanda persistente por veículos a gasolina e de um ambiente regulatório menos favorável. Pelo menos uma dúzia de montadoras já revisou metas ou adiou projetos de veículos elétricos, marcando um movimento de recuo após anos de promessas ambiciosas de abandono dos motores a combustão.

Revisão de estratégias e perdas bilionárias

A japonesa Honda abandonou a meta de encerrar a produção de veículos a combustão até 2040 e prevê perdas de até US$ 16 bilhões nos próximos dois anos com a reestruturação de sua estratégia para elétricos. Esse movimento se soma a ajustes feitos por Mercedes-Benz, Stellantis, Volvo Cars e Ford, que também reduziram metas de eletrificação total.

No segmento de luxo, a guinada é ainda mais evidente. A Rolls-Royce Motor Cars anunciou que continuará produzindo veículos com motores a gasolina além de 2030, contrariando planos anteriores. Outras marcas como Bentley, Audi, Porsche e Lotus também revisaram suas metas de eletrificação, optando por ampliar a oferta de modelos híbridos plug-in.

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Resistência do consumidor e fatores emocionais

Parte dessa resistência vem do próprio consumidor. Executivos do setor apontam que a rejeição a carros totalmente elétricos aumentou, especialmente em nichos de alto desempenho. Na Lamborghini, a decisão foi abandonar o lançamento de um modelo 100% elétrico e substituí-lo por um híbrido.

Segundo a empresa, fatores emocionais, como o som do motor e a experiência de condução, ainda pesam na escolha do cliente. A Ferrari, por sua vez, reduziu pela metade sua meta de produção de elétricos até 2030, embora mantenha o plano de lançar seu primeiro modelo totalmente elétrico. A estratégia é preservar a identidade da marca, sem forçar uma transição abrupta para clientes tradicionais.

Mudança de cenário político e econômico

O recuo também reflete mudanças no ambiente regulatório, sobretudo nos Estados Unidos e na União Europeia. Desde a volta de Donald Trump à presidência, o governo americano eliminou incentivos fiscais para a compra de veículos elétricos, reduziu investimentos em infraestrutura de recarga e flexibilizou metas de emissões.

Na Europa, medidas semelhantes vêm sendo adotadas, com revisão de metas ambientais diante de pressões econômicas e industriais. O resultado é um ambiente menos previsível para investimentos bilionários na transição energética do setor automotivo.

Estimativas do Financial Times indicam que mudanças estratégicas, incluindo cancelamento de projetos e revisão de investimentos, já custaram cerca de US$ 75 bilhões à indústria automotiva global no último ano.

Transição mais lenta e híbridos como ponte

O cenário atual sugere que a transição para veículos elétricos será mais gradual do que o previsto. Em vez de uma substituição rápida, montadoras passam a apostar em tecnologias intermediárias, como os híbridos plug-in, que combinam motores elétricos e a combustão.

Analistas apontam que fatores como preço elevado dos elétricos, infraestrutura de recarga insuficiente e incertezas regulatórias continuam limitando a adoção em massa. Além disso, a recente alta do petróleo, impulsionada pela guerra envolvendo o Irã, adiciona complexidade ao cenário.

Embora combustíveis mais caros possam, em tese, favorecer elétricos, a volatilidade global e o foco em segurança energética têm levado governos a priorizar soluções de curto prazo, muitas vezes apoiando a produção tradicional.

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