Venda irregular de Tadalafila no Rio preocupa médicos e autoridades sanitárias
Venda irregular de Tadalafila no Rio preocupa médicos

Venda irregular de Tadalafila nas ruas do Rio de Janeiro alerta autoridades sanitárias

Uma investigação do RJ1 revelou uma prática preocupante nas ruas do Rio de Janeiro: a venda avulsa de comprimidos de Tadalafila, medicamento de uso controlado indicado para tratamento de disfunção erétil, sendo comercializado livremente em pontos boêmios da cidade. A situação foi flagrada especialmente na região da Lapa, onde ambulantes oferecem o produto abertamente, muitas vezes ao lado de bebidas alcoólicas e cigarros, sem qualquer tipo de restrição ou controle sanitário.

Comercialização irregular em farmácias e aplicativos de mensagem

A reportagem também identificou falhas graves no controle dentro de estabelecimentos farmacêuticos. Em farmácias localizadas no Centro e na Zona Sul do Rio, atendentes informaram que a compra poderia ser realizada sem a apresentação de receita médica, bastando que o cliente indicasse a dosagem desejada. Além disso, a comercialização ocorre até mesmo por meio de aplicativos de mensagem, com entrega em domicílio e promoções para compras em maior quantidade — práticas que violam frontalmente as normas sanitárias estabelecidas pela legislação brasileira.

Uso como pré-treino em academias sem comprovação científica

Paralelamente, tem ganhado força nas academias uma crença perigosa: a de que a Tadalafila poderia melhorar o desempenho físico e favorecer o ganho de massa muscular, sendo utilizada como uma espécie de "pré-treino". Especialistas médicos, no entanto, alertam que não existe qualquer comprovação científica para esse efeito e que o consumo sem orientação médica adequada pode trazer sérios riscos à saúde dos praticantes de atividade física.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

"Nos últimos tempos, essa moda da utilização da tadalafila pelas pessoas que fazem atividade física, especialmente musculação, com a ideia de que a medicação poderia dar um 'pump' energético muscular, não encontra respaldo na literatura científica", destaca o cardiologista André Casara. "Os estudos recentes não mostram essa associação e esse resultado. A utilização sem indicação pode resultar em mais danos que benefícios, mesmo nessa população de indivíduos saudáveis".

Crescimento alarmante nas vendas e riscos à saúde

Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as vendas do medicamento cresceram de forma exponencial nos últimos anos. Em 2020, foram comercializadas pouco mais de 21 milhões de caixas em todo o país. Já em 2025, esse número saltou para mais de 74 milhões — um aumento de mais de três vezes em apenas cinco anos, indicando uma expansão preocupante no consumo.

O cardiologista André Casara explica que o uso sem indicação médica adequada pode causar diversos efeitos colaterais, incluindo:

  • Dores de cabeça intensas
  • Vermelhidão no rosto
  • Náuseas e mal-estar
  • Queda significativa da pressão arterial
  • Palpitações cardíacas
  • Risco aumentado de infarto em casos mais graves

Posicionamento das autoridades sanitárias

A Anvisa reforçou que medicamentos contendo Tadalafila só podem ser vendidos com a apresentação de prescrição médica e que a comercialização fora de farmácias constitui prática ilegal. A agência também afirmou que o medicamento não possui eficácia comprovada para ganho de massa muscular e que a fiscalização da venda é de responsabilidade dos órgãos locais de vigilância sanitária.

O Instituto Municipal de Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro (Ivisa-Rio) informou que realiza inspeções em aproximadamente 1.200 farmácias por ano no município, verificando os produtos comercializados e checando se possuem os devidos registros sanitários. Já o Conselho Regional de Farmácia do Rio de Janeiro afirmou que a venda sem prescrição configura infração sanitária e ética, podendo resultar em penalidades administrativas para os estabelecimentos infratores.

A situação revela uma grave falha no controle de medicamentos controlados no Rio de Janeiro, colocando em risco a saúde pública e exigindo medidas mais rigorosas de fiscalização por parte das autoridades competentes.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar