Cremepe denuncia superlotação crítica no Hospital da Restauração em Recife
Superlotação crítica no Hospital da Restauração em Recife

Cremepe notifica Secretaria de Saúde por superlotação crítica no Hospital da Restauração

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) emitiu uma notificação formal à Secretaria Estadual de Saúde denunciando a situação de superlotação extrema no Hospital da Restauração (HR), localizado no bairro do Derby, na região central do Recife. A unidade hospitalar, que é referência em atendimento de emergência no estado, apresenta condições precárias que comprometem a segurança e a qualidade da assistência médica.

Condições precárias e pacientes em situação vulnerável

Durante fiscalização realizada pelo Cremepe, foram constatados diversos problemas estruturais e operacionais graves. Janelas quebradas, infiltrações no teto, pacientes acomodados em macas nos corredores e acompanhantes dormindo no chão da área externa são algumas das situações documentadas. A situação mais alarmante envolve 72 pacientes entubados que não estão em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), colocando suas vidas em risco iminente.

Representantes do conselho médico afirmaram que o hospital chegou a operar com até três vezes a capacidade total prevista, com diversas salas funcionando com o dobro de pacientes do que seria adequado. Sérgio Palma, representante do Cremepe, destacou que reformas em andamento na estrutura do hospital agravam ainda mais o problema, ao reduzir significativamente a quantidade de leitos disponíveis para atendimento.

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Relatos de acompanhantes expõem realidade caótica

A dona de casa Rosilene Maria Soares, que acompanha a mãe vítima de trauma craniano após queda da cama, descreveu um cenário de completo desamparo. "Ela está no corredor. Os médicos são excelentes, mas o que falta é mais cuidado com os pacientes. Eu pago meus impostos em dia, mas aí dentro está um caos", relatou emocionada. Ela ainda mencionou problemas de infraestrutura como tetos que pingam, lâmpadas caindo e profissionais de saúde sofrendo acidentes no local.

Ana Patrícia da Silva, moradora do Cabo de Santo Agostinho, compartilhou a angústia de acompanhar o marido com suspeita de AVC. "Até agora ele tomou apenas dipirona injetável e soro porque está sem se alimentar desde ontem justamente para fazer a cirurgia que, no caso, não vai fazer mais hoje", contou sobre a demora no atendimento especializado.

Direção do hospital reconhece superlotação histórica

O diretor regional do Hospital da Restauração, Dr. Petrus Andrade Lima, admitiu que a unidade "sempre operou acima da capacidade", referindo-se aos 833 leitos formais que são insuficientes para a demanda. Sobre as críticas ao tempo de espera, ele defendeu que não há demora no atendimento e que os indicadores são rigorosamente monitorados, com tempo médio de permanência na emergência de 1,4 dias.

Em relação aos acompanhantes, o diretor explicou as limitações estruturais: "Todos os pacientes têm direito a acompanhante, mas não há possibilidade física de colocar todos em cadeiras ou poltronas". Ele também detalhou que pacientes graves em UTI ou salas vermelhas não podem ter acompanhantes permanentes por questões operacionais.

Medidas para enfrentar a crise

Após a notificação do Cremepe, o conselho aguarda uma resposta formal da Secretaria Estadual de Saúde com propostas concretas para resolver a situação. Enquanto isso, a direção do hospital afirma trabalhar "diuturnamente na resolução de fluxos de paciente", através da regulação para transferência para outras unidades hospitalares.

Paradoxalmente, o diretor revelou que aproximadamente 30% dos pacientes que conseguem vaga em outras unidades se recusam a sair do Hospital da Restauração, preferindo permanecer nos corredores da instituição, o que demonstra tanto a confiança no atendimento quanto a gravidade da crise no sistema de saúde público pernambucano.

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