Janeiro Roxo: Piracicaba alerta para 95% de diagnósticos tardios de hanseníase
Janeiro Roxo: hanseníase tem 95% de diagnósticos tardios

O mês de janeiro é dedicado à conscientização e ao combate à hanseníase, uma das doenças mais antigas da humanidade. Apesar dos avanços nos tratamentos e da existência de cura, a enfermidade ainda é negligenciada, conforme alerta da Secretaria de Saúde de Piracicaba, no interior de São Paulo. Na cidade, um índice alarmante de 95% dos casos é diagnosticado tardiamente, já em fase avançada.

Números preocupantes em Piracicaba

Nos últimos cinco anos, Piracicaba registrou 77 casos confirmados de hanseníase. Embora o número possa parecer baixo, ele esconde uma realidade grave. Mais de 95% desses casos foram identificados em estágios avançados, e 60% dos pacientes já apresentavam algum grau de incapacidade física no momento do diagnóstico.

Os diagnósticos na cidade apresentaram uma variação significativa, com um aumento expressivo em 2024. Em 2020, foram 8 casos, saltando para 24 confirmações em 2024, um crescimento de 200%. Em 2025, a rede municipal atendeu 12 pacientes. Os anos de 2021 e 2022 registraram 10 e 9 casos, respectivamente.

Riscos do diagnóstico tardio e ação no Janeiro Roxo

A hanseníase, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Sem tratamento adequado e em tempo hábil, a doença pode evoluir para incapacidades físicas e deformidades, especialmente nas mãos, pés e olhos, interferindo em atividades simples do cotidiano, como segurar objetos ou escovar os dentes.

Durante o Janeiro Roxo, as 75 Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Piracicaba realizam busca ativa por casos suspeitos e atividades educativas. A campanha se intensifica no dia 25, quando é celebrado o Dia Mundial de Combate à Hanseníase. A orientação é clara: pessoas com manchas na pele e perda de sensibilidade, formigamento ou dormência devem procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima.

Brasil é segundo no ranking mundial

A hanseníase permanece como um importante problema de saúde pública no século 21. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o Brasil como país prioritário no combate à doença, ocupando o segundo lugar no ranking mundial de novos casos, atrás apenas da Índia.

Poliana Garcia, enfermeira e interlocutora do Programa de Tuberculose e Hanseníase de Piracicaba, reforça que a doença é crônica e de evolução lenta, podendo levar de dois a sete anos para os primeiros sintomas aparecerem. "Classificada como doença negligenciada, a hanseníase permanece como um importante problema de saúde pública no século 21", alerta a profissional.

O tratamento é totalmente gratuito e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Piracicaba, os pacientes são atendidos na Atenção Primária e, quando necessário, encaminhados ao Centro Especializado em Doenças Infectocontagiosas (Cedic), onde recebem acompanhamento de uma equipe multiprofissional. A poliquimioterapia é eficaz e, logo no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida.

As principais formas de prevenção incluem a vacinação com BCG, conforme o calendário vacinal, a vacinação de contatos e, sobretudo, o diagnóstico e tratamento precoces. A conscientização durante o Janeiro Roxo é um passo fundamental para mudar a estatística local e garantir que mais pessoas tenham acesso à cura sem sequelas.