Uma iniciativa nacional conseguiu um resultado expressivo na segurança do paciente: reduziu em 26% as taxas de infecções hospitalares em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de todo o Brasil. O projeto, que vigorou entre setembro de 2024 e outubro de 2025, também gerou uma economia monumental para os cofres públicos, com estimativas que ultrapassam R$ 150 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Como funciona a iniciativa que está transformando as UTIs
O projeto, detalhado pela coordenadora Cristiana Martins Prandini, do Hcor, no programa Conexão Record News, tem como base a aplicação prática das diretrizes já existentes. “A gente usa a própria diretriz, são os protocolos que a Anvisa orienta relacionado à prevenção das infecções relacionadas à assistência”, explicou a especialista.
A metodologia adotada vai além da simples divulgação de normas. Ela promove ciclos de aprendizagem ativa, intercalando encontros de capacitação – tanto virtuais quanto presenciais – com períodos de ação direta nas unidades. “Eles levam para os hospitais, para as suas UTIs para poder testar e melhorar ainda mais os processos”, complementou Cristiana.
Foco em três infecções críticas e expansão nacional
O trabalho concentra-se no combate a três tipos específicos de infecções que representam grande risco em ambientes de terapia intensiva:
- Infecção de corrente sanguínea
- Infecção do trato urinário
- Pneumonia associada à ventilação mecânica
A coordenadora destacou que a iniciativa já percorreu o país inteiro, engajando equipes de saúde e levando um cuidado de maior qualidade aos pacientes. O envolvimento dos profissionais no processo de melhoria contínua é apontado como um dos pilares do sucesso.
Impacto financeiro e a meta ambiciosa para 2026
Além do ganho imensurável em vidas preservadas e sofrimento evitado, o projeto demonstra um impacto econômico robusto. A economia de mais de R$ 150 milhões para o SUS reflete a redução de custos com tratamentos prolongados, uso de antibióticos de alto espectro e internações estendidas decorrentes dessas complicações.
Os resultados positivos, porém, não são o ponto final. Os organizadores do projeto estabeleceram uma meta ainda mais ousada: alcançar uma redução de 50% nas taxas de infecção até o final de 2026. O sucesso já obtivo serve como prova de conceito e motivação para intensificar os esforços e expandir ainda mais as boas práticas.
A iniciativa representa um modelo promissor de como a integração entre diretrizes técnicas, educação continuada e ação prática pode gerar transformações concretas na saúde pública, salvando vidas e otimizando recursos preciosos do sistema.